Transmissão: Band | Space
Na tarde de 14/04/1981, o pouso do Columbia na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, marcou a conclusão bem-sucedida da missão STS-1 e o começo de uma nova era na exploração espacial: a tentativa de transformar voos orbitais em operações mais regulares por meio de veículos parcialmente reutilizáveis.
O conceito do ônibus espacial — formalizado no Space Transportation System (STS) — surgiu no fim dos anos 1960 e início dos 1970, quando a NASA buscava reduzir custos após o êxito das missões Apollo. A lógica era substituir veículos descartáveis por um orbitador capaz de decolar como foguete, operar em órbita como laboratório ou cargueiro e retornar à Terra pousando como uma aeronave.
Projeto e operação
O orbitador media 37 metros de comprimento, tinha envergadura de 23,8 metros e pesava cerca de 78 toneladas, com três motores RS-25 na cauda. Para o lançamento, contava com um tanque externo de mais de 760 toneladas de hidrogênio e oxigênio líquidos e dois propulsores auxiliares de combustível sólido, de aproximadamente 600 toneladas cada. O conjunto decolava na vertical, os propulsores laterais eram ejetados e recuperados no mar para recondicionamento, enquanto o tanque externo era descartado.
Na órbita, o veículo podia transportar até sete tripulantes e 24 toneladas de carga, operar laboratórios pressurizados e executar tarefas como lançamento e reparo de satélites. A proteção térmica, composta por pastilhas na face inferior, era responsável por resistir ao intenso aquecimento na reentrada e permitir o planeio final até o pouso.
Uso, frota e números
Ao longo de três décadas, a NASA realizou 135 missões com ônibus espaciais, levando 355 astronautas de 16 países (306 homens e 49 mulheres). A frota foi composta por veículos com histórias distintas: o protótipo atmosférico Enterprise, usado apenas em testes de pouso em 1977; o Columbia, que inaugurou os voos orbitais; Challenger; Discovery; Atlantis; e Endeavour, este último construído com peças sobressalentes após a perda do Challenger.
Cada orbitador desempenhou papéis específicos: o Columbia realizou 28 missões; o Challenger ampliou a frota e completou nove voos antes do desastre de 1986; o Discovery foi a nave mais utilizada, com 39 missões, incluindo a colocação do Telescópio Espacial Hubble em órbita; o Atlantis realizou 33 voos e fez a última missão da era em 2011; o Endeavour cumpriu 25 missões até a aposentadoria.
Conquistas
Os ônibus espaciais permitiram o lançamento e o reparo de satélites, a operação de laboratórios em microgravidade a bordo de seus compartimentos de carga, a manutenção do Hubble em várias missões de serviço, o lançamento de observatórios como o Chandra e a montagem da Estação Espacial Internacional.
Imagem: Divulgação
Acidentes e mudanças
Embora 133 das 135 missões tenham sido concluídas com sucesso, duas tragédias marcaram o programa e provocaram mudanças profundas nos protocolos de segurança. Em 28 de janeiro de 1986, o Challenger se desintegrou 73 segundos após a decolagem durante a missão STS-51-L, matando os sete tripulantes. A investigação apontou que anéis de vedação nos propulsores sofreram perda de elasticidade devido ao frio, permitindo vazamento de gases que levaram à destruição do veículo. Erros de comunicação entre engenheiros e a gerência da agência também foram identificados.
Em 1º de fevereiro de 2003, o Columbia se desintegrou durante a reentrada após 16 dias de missão. Posteriores análises demonstraram que, na decolagem, um fragmento de espuma do tanque externo atingira a asa esquerda, danificando placas de proteção térmica. O dano passou despercebido ou foi subestimado durante a missão, resultando na perda dos sete tripulantes ao retornar à atmosfera.
As duas catástrofes levaram a revisões extensas nos processos de segurança, a períodos prolongados de manutenção da frota e, por fim, à constatação de que os custos, a complexidade das operações e os riscos tornavam insustentável o programa, encerrado em 2011.
Apesar dos acidentes, especialistas destacam que a experiência dos ônibus espaciais influenciou a engenharia espacial contemporânea e contribuiu para a transição a modelos que combinam parcerias público-privadas, maior automação e foco em redundâncias e sistemas de escape. Elementos de projetos e lições aprendidas foram reaproveitados em programas subsequentes, inclusive em sistemas que visam a exploração lunar e além.
O legado dos ônibus espaciais, portanto, mistura avanços tecnológicos, serviços científicos e uma lição duradoura sobre a necessidade de processos de segurança mais rigorosos na exploração humana do espaço.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6