Uma pequena rocha espacial que acompanha a Terra em sua órbita pode ser, na verdade, um fragmento da Lua. Para tentar resolver essa dúvida, a sonda chinesa Tianwen-2 está próxima de iniciar observações detalhadas do asteroide 469219 Kamoʻoalewa e pretende coletar amostras que serão trazidas à Terra para análise laboratorial.
Quem e o que
O objeto em questão é o asteroide 469219 Kamoʻoalewa, cujo nome havaiano significa “objeto celeste oscilante”. Medindo entre 30 e 60 metros de diâmetro, ele integra a classe conhecida como quase-satélites: pequenos asteroides que orbitam o Sol em sincronia com a Terra, levando cerca de um ano para completar uma volta ao redor da estrela.
Quando e onde
Observações por uma estação terrestre em Bochum, na Alemanha, registraram pequenas correções de trajetória da Tianwen-2 e uma queima principal em 7 de junho. Com base nesses dados, acredita-se que a sonda já esteja em órbita do asteroide e que operações científicas relevantes comecem na primeira semana de julho, com previsão de início por volta de 4 de julho de 2026.
Como será a investigação
A missão, lançada em maio de 2025 pela Administração Espacial Nacional da China, planeja múltiplas aproximações do alvo para coletar material. O cronograma inclui operações de “pairar” sobre a superfície para aspirar partículas soltas, um breve toque para recolher uma amostra maior de rocha e o uso de extensões robóticas para tentar alcançar material abaixo da camada superficial.
Por que isso importa
A origem do Kamoʻoalewa permanece em debate. Estudos espectrais iniciais apontaram semelhanças com materiais lunares, o que levou à hipótese de que o asteroide seria um fragmento ejectado da Lua por um impacto antigo. Pesquisas mais recentes, no entanto, sugerem que o objeto pode ser um asteroide do tipo condrito LL cuja superfície foi profundamente alterada pelo intemperismo espacial, tornando a identificação por observações remotas inconclusiva.
Como o intemperismo age principalmente nas camadas externas, a coleta de material interno é considerada fundamental para determinar a composição real do asteroide. Missões anteriores que trouxeram amostras de asteroides, como a japonesa Hayabusa-2 e a norte-americana OSIRIS-REx, demonstraram o valor científico de análises laboratoriais diretas.
Imagem: Divulgação
Contexto orbital
Os quase-satélites não são luas verdadeiras: eles permanecem ligados gravitacionalmente ao Sol, embora pareçam acompanhar a Terra por décadas ou séculos. No caso do Kamoʻoalewa, pesquisadores estimam que a atual configuração como quase-satélite se estabeleceu há cerca de 100 anos. Sua maior aproximação conhecida à Terra ocorreu em 27 de dezembro de 1923, quando passou a aproximadamente 12,44 milhões de quilômetros do planeta. Projeções orbitais indicam que, no fim de maio de 2369, ele deverá estar a uma distância equivalente ao dobro da separação entre a Terra e o Sol.
Se as operações da Tianwen-2 ocorrerem conforme o planejado, imagens, medições e as primeiras tentativas de coleta poderão fornecer evidências decisivas sobre a origem do Kamoʻoalewa. A confirmação final dependerá, porém, das análises das amostras trazidas à Terra.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6