Sete em cada dez brasileiros sofreram algum tipo de golpe digital nos últimos 12 meses, aponta o relatório “Estado dos Golpes no Brasil 2025” da Global Anti-Scam Alliance (GASA). O levantamento identifica ainda uma média de 252 tentativas de fraude por pessoa ao longo do ano.

Em meio a esse cenário, o governo federal sancionou a Lei 15.397/2026 em 4 de maio. A norma cria no Código Penal a tipificação da “fraude eletrônica”, com pena prevista de quatro a oito anos de reclusão para golpes praticados por redes sociais, chamadas telefônicas, e-mails ou clonagem de dispositivos. A legislação também prevê punição de até cinco anos de prisão para uso de “contas laranja”.

Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da GASA, afirmou no Podcast Canaltech desta terça-feira (12) que, embora a lei seja relevante, ela não resolve por si só o problema. Segundo a diretora, a principal contribuição da nova norma é permitir uma distinção mais clara entre crimes digitais e estelionatos tradicionais — um recorte que facilita a alocação de recursos e a formação de equipes especializadas para enfrentar crimes que ocorrem no ambiente online.

Como atuam os golpistas

O relatório descreve operações em grande escala. De acordo com a GASA, 65% dos golpes têm início por ligação telefônica, 55% por SMS e 55% por e-mail — canais que frequentemente servem apenas como porta de entrada antes da transferência de recursos pelas vítimas.

Investigações recentes apontam que organizações criminosas atuam internacionalmente. Uma ação que desmantelou uma estrutura no Sudeste Asiático revelou réplicas de delegacias de vários países, entre elas uma falsa unidade da Polícia Federal brasileira.

As perdas globais com fraudes digitais ultrapassaram US$ 1 trilhão em 2024, segundo a GASA, número considerado subestimado devido ao alto índice de não registro dos casos. No Brasil, o tipo de golpe mais frequente envolve compras online: 60% das pessoas que relataram terem sido vítimas disseram ter perdido dinheiro por produtos que nunca foram entregues, muitas vezes em sites com seguidores falsos em redes sociais.

Imagem: Erick Teixeira/Canaltech

O impacto vai além das perdas financeiras: 86% das vítimas relataram níveis elevados de estresse após serem enganadas, e o sentimento de vergonha contribui para o subregistro das ocorrências, dificultando a resposta das autoridades.





Como orientações práticas, a GASA recomenda bloquear o golpista, contestar a transação no aplicativo do banco — lembrando que o Banco Central mantém o Mecanismo Especial de Devolução para transferências via Pix —, registrar boletim de ocorrência e comunicar a plataforma onde o golpe ocorreu. Em março, a organização lançou o site scam.org, que permite verificar links suspeitos, acessar orientações de proteção e localizar canais de denúncia por país e estado.

Com informações de Canaltech