Pesquisa realizada pela Veriff em parceria com a Kantar aponta que 80% dos brasileiros já viram deepfakes na internet, índice mais alto entre os países avaliados. Em comparação, 60% dos entrevistados nos Estados Unidos e no Reino Unido relataram ter se deparado com esse tipo de conteúdo.
Os dados fazem parte do Deepfakes Report 2026. No estudo, os participantes brasileiros obtiveram média de 0,08 em uma escala que vai até 1,0 no teste de identificação de deepfakes, resultado que indica desempenho praticamente equivalente a um palpite aleatório.
No Podcast Canaltech desta sexta-feira (15), Andrea Rozenberg, diretora de Mercados Emergentes da Veriff, afirma que os sinais usados antigamente para identificar manipulações digitais deixaram de ser eficazes. Segundo ela, conteúdos que antes aparentavam ser “robóticos” ou traziam artefatos como membros ou partes do rosto ausentes agora estão muito mais naturais, o que dificulta a detecção humana.
A produção de deepfakes tornou-se mais acessível: com duas fotografias e um trecho de voz é possível gerar um vídeo com uma pessoa dizendo algo que ela não disse. A empresa Sumsub registrou aumento de 126% em fraudes que utilizam deepfakes no Brasil em 2025, e atribui ao país 39% de todos os deepfakes identificados na América Latina.
Dos apps de namoro às eleições
Os usos maliciosos desses recursos abrangem desde perfis falsos em aplicativos de relacionamento e fraudes em operações bancárias até vídeos em que candidatos políticos aparecem falando e em locais nos quais nunca estiveram. Com as eleições de 2026 se aproximando, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tendo endurecido regras sobre o uso de inteligência artificial em campanhas, o risco de desinformação eleitoral por meio de deepfakes é considerado real.
O levantamento também revela que 87% dos brasileiros têm medo de golpes e fraudes de identidade — o maior índice entre os países pesquisados — e 81% receiam que conteúdos manipulados prejudiquem o debate político.
Imagem: Erick Teixeira/Canaltech
Para reduzir a vulnerabilidade, Rozenberg recomenda proteção em várias camadas: algo que o usuário sabe (senha), algo que tem (celular) e algo que é (biometria facial), em vez de depender de apenas um desses elementos. Entre as medidas práticas sugeridas estão desconfiar de pedidos urgentes, definir palavras-chave entre familiares para checar contatos no WhatsApp, não reutilizar senhas e ativar autenticação de dois fatores sempre que possível.
No horizonte, a Veriff prevê que mecanismos de verificação digital se tornem parte da infraestrutura básica da internet, uma espécie de “passaporte digital universal” para atestar identidades online.
Com informações de Canaltech

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6