O cantor e ativista ambiental Neil Young anunciou que liberará sem custo, por um ano, todo o conteúdo disponível em neilyoungarchives.com para os habitantes da Groenlândia. A iniciativa visa levar alívio cultural e apoio à população local diante das recentes ameaças políticas.

Em comunicado publicado em seu site oficial, Young afirmou ter “a honra de oferecer um ano de acesso gratuito ao neilyoungarchives.com a todos os nossos amigos na Groenlândia”. Segundo o músico, a medida pretende amenizar “o estresse e as ameaças indevidas” provenientes do governo dos Estados Unidos, que ele define como “impopular e, espera-se, temporário”.

Na mensagem, o artista reforça ainda o caráter simbólico da oferta: “É meu sincero desejo que vocês possam desfrutar de toda a minha música em sua bela casa na Groenlândia, na mais alta qualidade. Esta é uma oferta de Paz e Amor.”

Young destaca que todo o material produzido ao longo de seus 62 anos de carreira está disponível para audição e que a renovação do acesso será gratuita enquanto o usuário permanecer no território groenlandês. “Esperamos que outras organizações sigam o espírito do nosso exemplo”, completa o comunicado.

Com pouco mais de 57 mil habitantes, não há estimativa precisa de quantos efetivamente consumirão o conteúdo, mas a mensagem reforça a crença do músico no poder da arte em tempos de tensão.

A oferta coincide com o segundo mandato de Donald Trump, que assumiu a presidência dos EUA em 2025 e voltou a manifestar interesse em adquirir ou controlar a Groenlândia, gesto que violaria o direito internacional e alteraria o equilíbrio da OTAN.

Embora autônoma, a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca e, por extensão, da União Europeia. A proposta de Trump reacendeu debates geopolíticos sobre a soberania do território.

Imagem: Neil Young Tara Mays/Variety/PMC

Neil Young já mantinha forte oposição ao ex-presidente norte-americano. Ele chegou a proibir o uso de suas músicas em comícios de Trump e o chamou de “vergonha para meu país”.

Em 2020, o artista criticou a perda de prestígio dos EUA sob a liderança de Trump e, neste ano, publicou editorial em que definiu o país como “um desastre”, atribuindo ao presidente a responsabilidade pela divisão interna.

Curiosamente, em 2014 ou 2015, Young e Trump chegaram a se reunir de forma amigável para negociar investimentos no projeto digital de música Pono, mas a relação azedou rapidamente.

Com esta ação, Neil Young reforça seu compromisso com causas sociais e ambientais, usando sua arte como instrumento de solidariedade internacional.

Com informações de Billboard