Pesquisadores da Unicamp identificaram pela primeira vez no Brasil um campo de tectitos, vidros naturais formados pelo impacto de alta energia de meteoritos ou asteroides. Os fragmentos, batizados de “geraisitos” em referência ao estado de Minas Gerais, têm idade estimada em 6,3 milhões de anos e abrem uma nova janela para a história geológica do país.

Descoberta dos geraisitos

O geólogo Álvaro Penteado Crósta, do Instituto de Geociências da Unicamp, detalhou em artigo publicado na revista Geology a caracterização desses tectitos. Os espécimes foram encontrados inicialmente nas regiões de Taiobeiras, Curral de Dentro e São João do Paraíso, no norte de Minas Gerais. Até agora, mais de 600 fragmentos foram coletados durante expedições de campo.

Distribuição geográfica

As análises iniciais apontam um campo de dispersão que se estende por quase 900 quilômetros, abrangendo partes de Minas Gerais, Bahia e Piauí. Novos relatos de ocorrência surgiram após a divulgação do estudo, confirmando a presença de geraisitos em solo piauiense e baiano.

Características e análise

Os geraisitos apresentam formatos aerodinâmicos — gota, esfera, haltere — resultantes do rápido resfriamento de gotas incandescentes lançadas na atmosfera. Em laboratório, sua composição geoquímica revelou teor de água na faixa de poucas dezenas de partes por milhão, valor incompatível com vidros de origem vulcânica. Microscopia eletrônica também identificou inclusões de lechatelierita e bolhas de gás, marcadores de temperaturas extremas típicas de impactos cósmicos.

Localização da cratera

Apesar da quantidade de amostras, a cratera de impacto ainda não foi encontrada. Crósta explica que processos erosivos e cobertura sedimentar podem ter apagado sinais na superfície. A geoquímica isotópica sugere origem em rochas continentais antigas do cráton do São Francisco, o que orienta as buscas para regiões específicas desse escudo geológico.

Imagem: Divulgação

Próximos passos

A equipe pretende delimitar com mais precisão a área de ocorrência e aprofundar a caracterização dos geraisitos. Combinando análise científica e colaboração da comunidade local — que foi crucial para a descoberta —, os pesquisadores esperam identificar a estrutura circular associada ao impacto e compreender melhor o passado geológico do Brasil.

Com informações de Olhardigital