Estreado no Rio de Janeiro, “Fafá de Belém – O musical” retoma pontos marcantes da carreira de Maria de Fátima Palha de Figueiredo, mais conhecida como Fafá de Belém. Em cartaz no Teatro Riachuelo de quinta a domingo até 8 de março, o espetáculo apresenta um recorte que vai dos primeiros anos na Amazônia até o envolvimento da cantora na campanha pelas Diretas Já, em 1984.

Equipe e estrutura

Idealizado e dirigido por Jô Santana, o musical tem direção artística de Gustavo Gasparani, que também assina o texto ao lado de Eduardo Rieche. A montagem, dividida em dois atos e um intervalo de 15 minutos, soma quase três horas de duração, mesclando narrativa documental e canções que marcaram a trajetória de Fafá de Belém.

Enredo e linguagem

O enredo se desenvolve a partir da gravação fictícia de um documentário sobre a vida da cantora. A trama se apoia em diálogos entre Fafá e a diretora Yara Marques (personagem interpretada por Naieme) e em filmagens cenográficas que recriam momentos-chave, como o Círio de Nazaré, embalado por “Nossa Senhora” (Roberto Carlos/Erasmo Carlos, 1993), e o samba de roda “Filho da Bahia” (Walter Queiroz), que impulsionou a artista ao sucesso em 1975.

Elenco e personagens

Três atrizes dividem a interpretação de Fafá de Belém ao longo de quase 70 anos de vida: Laura Saab representa a infância e adolescência; Helga Nemetik assume os anos 1970 e 1980, quando a cantora se libertou do estereótipo regional; e Lucinha Lins dá voz à Fafá platinada da maturidade. As atuações se complementam sem sobreposições, com destaque para a expressividade vocal de Nemetik e a precisão gestual de Lins ao reproduzir a risada característica da homenageada.

Música e simbolismo

Gasparani explora símbolos da cultura amazônica, como a personificação do boto em cena para contar a relação de Fafá com o saxofonista Raul Mascarenhas. O diretor também introduz números como “Que me venha esse homem” (David Tygel/Bruna Lombardi, 1979), “Memórias” (Leonardo, 1986), “Bandoleiro” (César Augusto/Fafá de Belém, 1995) e a toada “Vermelho” (Chico da Silva, 1996), encerrando o espetáculo em clima de festa.

Imagem: Nil Caniné / Divulgação

Aspectos políticos

Na abordagem política, o musical destaca o engajamento de Fafá na campanha das Diretas Já, ilustrado pela interpretação de “Menestrel das Alagoas” (Milton Nascimento/Fernando Brant, 1983). O texto menciona o jornalista Zózimo Barrozo do Amaral como responsável por campanhas negativas contra a cantora, sem, porém, aprofundar conflitos tradicionais do mercado fonográfico da época.

“Fafá de Belém – O musical” reafirma a importância cultural da artista paraense, propondo uma narrativa que valoriza a fé, a brasilidade e a herança amazônica, sem recorrer a análises críticas externas ao ponto de vista da protagonista.

Com informações de G1