O fundo de participações Termópilas, administrado pela Reag, apresentou deterioração expressiva em seu patrimônio em poucos meses de 2025, passando de aproximadamente R$ 1 bilhão de ativos para um saldo líquido abaixo de zero, segundo documentos encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Dados oficiais enviados à autarquia indicam que, entre meados e o final do ano passado, a diferença entre os ativos e os passivos do fundo se agravou de forma acelerada. A situação foi considerada atípica até mesmo para veículos de investimento de maior risco.

Contexto ligado ao Banco Master

O declínio patrimonial do Termópilas ocorreu no rastro do escândalo que afetou o Banco Master, liquidado pelo Banco Central após indícios de empréstimos irregulares, movimentação cruzada de recursos e uso de fundos para socorrer o próprio banco. Investigadores apontam o Termópilas como peça-chave nessa rede de operações financeiras.

Véspera da prisão de Vorcaro

Em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do empresário Daniel Vorcaro pela Polícia Federal, foi realizada assembleia extraordinária remota com todos os cotistas presentes, dispensando convocação formal. Na ocasião, foram aprovadas alterações nas regras de amortização e resgate de cotas, mudança que levanta questionamentos sobre a possibilidade de resgates antecipados por parte de alguns investidores.

Fluxo de recursos

Relatórios policiais indicam que recursos originados de resgates de títulos do Banco Master foram transferidos ao Termópilas, que então repassou valores para empresas ligadas ao mesmo grupo empresarial. Entre elas, destaca-se a Super Empreendimentos, responsável por imóveis de alto valor associados ao ex-banqueiro e citada em investigações por transações suspeitas. Recentemente, a Super mudou seu endereço para um escritório compartilhado, reforçando o ambiente pouco transparente em torno de suas atividades.

Imagem: Divulgação

Cotistas sob risco

No mercado de fundos de participações, o patrimônio líquido negativo configura cenário extremo. Conforme o regulamento, os cotistas remanescentes podem ser obrigados a aportar novos recursos para cobrir o déficit gerado por resgates anteriores. Aqueles que saíram antes tendem a receber valores baseados em estimativas que não refletem eventuais perdas futuras.





A CVM, embora não comente casos específicos, alerta que administradores estão sujeitos a sanções se descumprirem prazos ou falharem na divulgação de informações completas. No caso do Termópilas, a base pública da autarquia apresenta lacunas e dados desatualizados sobre a composição da carteira, dificultando a rastreabilidade dos recursos.

Com informações de Revistaoeste