Os valores de ingressos para grandes apresentações musicais vêm registrando alta significativa tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo. Fãs de artistas internacionais, como Harry Styles, têm se surpreendido com preços que chegam a dobrar em relação a turnês anteriores, superando muito os índices oficiais de inflação.

A alta vai além da inflação

Especialistas do setor apontam que fatores estruturais e de mercado explicam parte desse aumento. Entre eles, o crescimento dos cachês dos artistas, que dependem cada vez mais da receita de shows após redução de ganhos com streaming. Ao mesmo tempo, as produções ganharam em escala: sistemas de luz, vídeo, som e efeitos especiais mais sofisticados elevam custos de montagem e transporte.

Também pesam nas contas o aumento dos custos fixos, como passagens aéreas, frete de equipamentos, hospedagem e salários das equipes técnicas, impactando diretamente o preço final dos ingressos.

Especificidades do mercado brasileiro

No Brasil, a legislação da meia-entrada obriga organizadores a compensar a diferença entre o valor integral e o benefício concedido a estudantes, idosos e outros grupos, elevando o preço básico dos bilhetes. Além disso, tributos incidentes sobre o valor bruto do cachê do artista, sem a possibilidade de dedução prévia de despesas, oneram ainda mais o custo de trazer atrações internacionais.

Atualmente, taxas de serviço, de processamento e de administração podem adicionar entre 20% e 30% ao valor anunciado originalmente. Em 2023, o Procon-SP aplicou multas a empresas de venda de ingressos por cobranças indevidas e mantém investigações sobre práticas tarifárias.

O panorama global

No exterior, as práticas de preço dinâmico ajustam o valor dos bilhetes conforme a demanda, algo ainda incomum no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, fãs enfrentam variação de preço dentro de um mesmo setor, com bilhetes mais próximos do palco chegando a custar muito acima da média.

Imagem: Divulgação

Empresas como a Ticketmaster enfrentam críticas e processos por práticas consideradas abusivas, incluindo taxas ocultas e suposto monopólio após fusão com a Live Nation. Até grandes nomes, como Taylor Swift e Bruce Springsteen, já haviam manifestado insatisfação com o sistema de vendas online.

Enquanto isso, os shows continuam esgotando, o que, na visão de produtores, reduz o incentivo para redução de preços. Cabe aos fãs avaliar o teto de gastos que estão dispostos a enfrentar para assistir aos seus artistas preferidos.

Com informações de G1