A Walt Disney Company confirmou nesta terça-feira (3) a escolha de Josh D’Amaro, de 54 anos, como seu próximo CEO, encerrando um período de indefinição sobre a sucessão da presidência. O executivo tomará posse durante a assembleia anual de acionistas, marcada para 18 de março, no lugar de Bob Iger, de 74 anos, que esteve à frente da corporação em diferentes fases e foi responsável pela aquisição da Pixar, Marvel, Lucasfilm e da 21st Century Fox.

O anúncio acontece em um contexto de rápidas transformações na indústria de mídia, com movimentos de consolidação entre empresas e o avanço de soluções baseadas em inteligência artificial. Em paralelo à nomeação de D’Amaro, a Disney comunicou que Dana Walden, atualmente co-head de entretenimento, ganhará as funções de chief content officer e presidente, estendendo sua influência sobre as áreas de criação e gestão de conteúdo.

Trajetória de Josh D’Amaro

Com quase três décadas de experiência na Disney, D’Amaro liderava até o momento a divisão de experiências, que engloba parques temáticos e cruzeiros. Essa unidade despontou como o principal gerador de receita da empresa pós-pandemia, apresentando crescimento constante desde 2021. No último ano fiscal, o segmento obteve lucro operacional recorde de quase US$ 10 bilhões, representando cerca de 60% dos ganhos totais da companhia.

Além disso, o novo CEO coordenou o projeto de um parque temático em Abu Dhabi, o primeiro grande investimento desse tipo em quase dez anos. O processo de sucessão foi conduzido por James Gorman, ex-executivo do Morgan Stanley e presidente do conselho desde 2024, que elogiou a “visão estratégica e o profundo entendimento do espírito criativo” de D’Amaro.

Desafios e pressões externas

Apesar dos bons resultados nos parques, a Disney enfrenta desafios em outras frentes. A redução no fluxo de visitantes internacionais nos Estados Unidos pesou nas ações da empresa, que recuaram mais de 7% em um pregão recente, mesmo com vendas e lucros acima das expectativas do mercado.

No segmento de entretenimento, o novo CEO assumirá às vésperas do fim dos principais contratos sindicais de roteiristas e atores, previstos para maio e junho, o que pode desencadear novas negociações trabalhistas. Em 2023, disputas envolvendo o uso de IA generativa geraram greves que custaram aproximadamente US$ 6 bilhões à indústria de Hollywood.

Imagem: Divulgação

A companhia também abriu espaço para que a OpenAI utilize personagens de franquias como Star Wars, Pixar e Marvel em seu gerador de vídeos Sora, além de investir US$ 1 bilhão na startup. No âmbito político, a Disney tem lidado com pressões do governo dos EUA sobre licenças de emissoras afiliadas à ABC.

O pacote de remuneração de Josh D’Amaro inclui salário-base anual de US$ 2,5 milhões e um plano de incentivos de longo prazo com valor-alvo de US$ 26,3 milhões para cada ano fiscal.

Com informações de Olhardigital