Em 1926, o cantor e violonista Patrício Teixeira realizou a primeira gravação com letra da toada “Tristezas do Jeca”, obra de Angelino de Oliveira, no estúdio da gravadora Odeon, no Rio de Janeiro. Lançada naquele ano em um disco de 78 rotações por minuto fabricado pela Casa Edison, a canção consolida-se como marco inicial da sofrência sertaneja.
Angelin o de Oliveira (1888–1964), compositor paulista nascido em Itaporanga, em São Paulo, apresentou “Tristezas do Jeca” em 1918 durante evento de um clube em Botucatu, cidade para onde se mudou aos seis anos. Porém, o registro fonográfico mais antigo da melodia havia sido instrumental, executado em 1924 pela Orquestra Brasil América, também pela Odeon.
A interpretação de Patrício Teixeira deu voz aos versos melancólicos escritos em 1918 pelo violonista paulista. Apesar da relevância histórica, a repercussão inicial foi moderada, possivelmente porque a emotividade da letra não ficou totalmente evidenciada na performance de Teixeira. Ainda assim, a gravação abriu caminho para que “Tristezas do Jeca” ganhasse força no repertório sertanejo.
O primeiro sucesso popular da toada só ocorreu em 1937, quando Paraguassu (1894–1976) e Seu Grupo Verde e Amarelo levaram a música ao público com grande aceitação. Posteriormente, em 1947, a dupla Tonico & Tinoco registrou nova versão, acompanhada pelo acordeonista Mário Zan (1920–2006) e pelo violeiro Miguel Lopes Rodrigues, o Piraci (1917–1974), consolidando a canção como clássico.
Com o passar das décadas, o título original perdeu o “s” e passou a ser citado também como “Tristeza do Jeca”. A composição permaneceu viva na memória afetiva do Brasil e integrou diversas antologias do gênero, graças ao equilíbrio entre letra e melodia.
Artistas de gerações diferentes revisitaram o tema. Entre as gravações mais emblemáticas estão as de Inezita Barroso (1925–2015), Sérgio Reis e Luiz Gonzaga (1912–1989). Na década de 1980, Ney Matogrosso incluiu a toada no álbum “Pescador de pérolas” (1987) e Almir Sater no álbum “Rasta bonito” (1989). Duplas como Pena Branca & Xavantinho, Zezé Di Camargo & Luciano e Chitãozinho & Xororó também registraram suas versões.
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Maria Bethânia, por sua vez, gravou “Tristezas do Jeca” ao lado do irmão Caetano Veloso e de Zezé Di Camargo para a trilha sonora do filme “2 Filhos de Francisco”, reforçando o poder emotivo da composição um século após sua primeira fixação em disco.
A gravação pioneira de Patrício Teixeira em 1926 permanece como ponto de partida para a trajetória duradoura de “Tristezas do Jeca” na música sertaneja brasileira.
Com informações de G1

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6