Pesquisadores divulgaram a descoberta do fóssil Anadoluvius turkae na região central da Turquia, datado em 8,7 milhões de anos, que coloca em xeque a ideia de que o desenvolvimento inicial dos hominínios ocorreu exclusivamente no leste africano. O material recuperado apresenta características morfológicas que aproximam esses primatas dos ancestrais de humanos modernos e dos grandes símios africanos.

O que foi encontrado e onde

O fóssil foi escavado no sítio paleontológico de Çorakyerler, na Turquia central, e inclui partes significativas do rosto e dentes. A preservação permitiu reconstruções do crânio que revelam uma combinação de traços considerados primitivos e outros mais derivados, usados pelos pesquisadores para situar o animal na árvore evolutiva dos hominínios.

Quem conduziu o estudo e onde foi publicado

Uma equipe internacional, com participação de paleontólogos canadenses e turcos, analisou o espécime e publicou os resultados em um estudo detalhado na revista Nature. Os autores sustentam que os dados morfológicos e o contexto geológico apontam para uma diversificação precoce de primatas pelo Mediterrâneo e sul da Europa.

Como isso altera o quadro evolutivo

Segundo os pesquisadores, o ambiente eurasiático da época favorecia a radiação desses primatas e, apenas milhões de anos depois, populações relacionadas teriam migrado para o sul, alcançando a África. A hipótese colocada no trabalho é de que ancestrais comuns de humanos e macacos africanos podem ter surgido entre 9 e 7 milhões de anos atrás na região europeia, seguindo posterior deslocamento através de corredores ecológicos favorecidos por alterações no nível do mar e no clima.

Evidências complementares e debates

Fósseis anteriores encontrados na Grécia e na Bulgária são citados pelos autores como reforço à noção de um “celeiro evolutivo” no sul da Europa. Ainda assim, a comunidade científica mantém o debate sobre se esses fósseis representam antecessores diretos da linhagem humana ou ramos colaterais que se extinguiram. Os próprios autores reconhecem a necessidade de novas escavações e análises para confirmar a posição desses espécimes na filogenia dos hominínios.

Imagem: Divulgação

Os achados implicam que a história inicial dos hominínios pode ter sido mais geograficamente ampla do que se supunha, colocando a Eurásia em papel relevante no início dessa linhagem. A descoberta do Anadoluvius turkae, com sua combinação singular de características, amplia a discussão sobre as origens e rotas migratórias dos antepassados dos humanos modernos.

Com informações de Olhardigital