O Departamento de Estado dos Estados Unidos está preparando um portal online destinado a reunir e disponibilizar conteúdos que tenham sido restringidos por autoridades estrangeiras. A iniciativa, segundo reportagem da Reuters divulgada na última quinta-feira (19), pretende concentrar material proibido em países da Europa, no Brasil e em outras regiões.

O site, hospedado no domínio freedom.gov, já pode ser acessado, conforme verificação feita pelo TecMundo, mas, por enquanto, apresenta apenas um texto de apresentação. A página inicial traz a mensagem “Freedom is coming” (“A liberdade está chegando”), acompanhada de um subtítulo em português: “A informação é poder. Reivindique seu direito humano à liberdade de expressão. Prepare-se”.

Recursos previstos

Fontes ouvidas pela Reuters indicaram que o governo dos EUA avalia incorporar ao portal uma funcionalidade de VPN integrada, capaz de fazer com que acessos aparentem ter origem nos Estados Unidos, o que ampliaria o alcance do conteúdo hospedado. As mesmas fontes afirmaram que a atividade no site também poderia não ser rastreável.

Censura e posicionamento americano

O governo norte-americano tem adotado discurso firme sobre a disponibilidade de conteúdo online, sustentando que remoções motivadas por autoridades podem configurar censura. Em 2024, uma comissão de deputados dos EUA publicou um dossiê com decisões judiciais brasileiras relativas a redes sociais. Em 2025, as plataformas Rumble e Truth Social, ligada ao ex-presidente Donald Trump, acusaram o ministro do STF Alexandre de Moraes de censurá-las.

Em resposta à Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que os EUA não possuem um programa específico para contornar censura na Europa. “A liberdade digital é uma prioridade para o Departamento de Estado e isso inclui a proliferação de tecnologias de privacidade e de contorno da censura, como as VPNs”, destacou a nota.

Adiado o lançamento

Apesar de o domínio já estar ativo, a plataforma ainda não opera conforme descrito pelas fontes e não foi apresentada como previsto na Conferência de Segurança de Munique na semana passada — o anúncio foi postergado. O projeto é coordenado pela subsecretária de Diplomacia Pública Sarah Rogers. Registros federais dos EUA indicam que o domínio freedom.gov foi registrado em 12 de janeiro deste ano.

Imagem: Divulgação

A Reuters não conseguiu apurar os motivos do adiamento. Segundo a reportagem, funcionários do Departamento de Estado manifestaram preocupações internas sobre o plano, sem detalhar as tensões. A agência também observa que o portal poderia colocar o governo dos EUA em situação atípica ao aparentemente incentivar cidadãos estrangeiros a desrespeitar legislações locais.

Precedente no Brasil

No Brasil, durante a suspensão da rede social X, o uso de meios alternativos para burlar o bloqueio, como VPNs, estava sujeito a multa. Pessoas e empresas que utilizassem esses recursos poderiam ser penalizadas em R$ 50 mil.





O assunto segue em desenvolvimento, com o site acessível apenas na forma de apresentação até o momento.

Com informações de Tecmundo