TRANSMISSÃO: Record | HORÁRIO: 3h55 (Brasília UTC-3)

Uma publicação viral no X no final do ano passado colocou lado a lado imagens que representam duas posturas da cultura do esforço extremo: um moletom associado a “tech bros” e o ícone do app Notas em contraste com um terno e o livro Trabalho Focado, de Cal Newport. O autor do post sugeriu que “o cara da esquerda provavelmente vai vencer o da direita”, enquanto usuários comentaram que o primeiro pode ganhar mais dinheiro e o segundo pode ser mais feliz.

DEDICAÇÃO TOTAL OU ROTINA EXTREMA?

Essa dicotomia ilustra a tensão entre abordagens intensas de trabalho — apelidadas de “modo grind” ou rotinas de máxima produtividade — e formas de vida com foco maior em bem-estar. Alguns profissionais e fundadores do Vale do Silício ainda estão divididos sobre qual modelo é mais eficaz para alcançar sucesso.

Entre as práticas mencionadas estão jornadas que vão das 9h às 21h, seis dias por semana, alimentadas por bebidas energéticas como White Monster, laptops e ambição. Há também rotinas matinais inspiradas em personagens ficcionais, com horários extremos de despertar (o post citou um alarme às 3h55), banhos gelados, exercícios e suplementos, preparações para longos períodos diante de múltiplos monitores.

Gannon Breslin, CEO da snowballapp.ai, publicou no TikTok a ideia de que o equilíbrio ideal pode combinar picos intensos de esforço com momentos de normalização. Ele descreve o período de maior pressão como semanas que exigem dedicação contínua, às custas do sono e de hábitos saudáveis, e cunhou o termo “modo de trabalho puro” para designar a adoção pragmática do que for necessário para cumprir metas.

HOMEOSTASE E OTIMIZAÇÃO

Segundo Breslin, quando a empresa está em “homeostase” é o momento apropriado para corrigir rotinas: priorizar sono, ajustar a alimentação e reduzir problemas de saúde ou ineficiências causadas por fases de trabalho intenso. Essa alternância entre períodos de pico e de manutenção seria, na visão dele, o padrão ideal para alguns empreendedores.

Imagem: Photodisc e Yuriy Gluzhetsky via Getty Images

Vagas em startups refletem essa expectativa: uma oferta na Rilla, empresa de tecnologia de Nova York, exigia candidatos dispostos a “trabalhar cerca de 70 horas por semana presencialmente com algumas das pessoas mais ambiciosas de Nova York”. A pressão cultural também já foi sintetizada por líderes conhecidos; Elon Musk afirmou que “ninguém jamais mudou o mundo trabalhando 40 horas por semana”.

ESGOTAMENTO EM NÍVEIS RECORDES

Apesar da retórica sobre produtividade máxima, dados mostram risco elevado de esgotamento. Um relatório de 2025 da plataforma Care.com indicou que, enquanto empresas estimavam que 45% dos funcionários corriam risco de burnout, 69% dos próprios trabalhadores se consideravam em risco moderado a alto.

Além das estratégias de trabalho intenso e das fases de recuperação, a cobertura também ressalta que há outra dimensão: a importância de manter uma vida além do emprego.

Com informações de Fastcompanybrasil