A exposição frequente a celulares, computadores e tablets pode comprometer a qualidade do sono por dois mecanismos principais: a luz azul emitida pelas telas e a estimulação mental provocada pelo conteúdo digital. O neuropediatra Anderson Nitsche, professor da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), ressalta que esses fatores alteram o ritmo biológico e dificultam o relaxamento necessário para um descanso adequado.

Com base nesses efeitos, Nitsche recomenda medidas práticas para reduzir o impacto das telas na rotina noturna. A primeira e mais incisiva orientação é interromper o uso de dispositivos eletrônicos pelo menos 60 a 90 minutos antes de deitar. Segundo o especialista, essa janela sem telas favorece a produção natural de melatonina e contribui para que o corpo e a mente entrem em um estado de menor alerta, facilitando o início do sono e a sua manutenção.

Use filtros de luz azul como apoio, não como substituto

Recursos como modo noturno e filtros de luz azul podem diminuir parte da incidência de luz que interfere no relógio biológico. Ainda assim, Nitsche afirma que esses ajustes são complementares: reduzir a exposição continua sendo a estratégia mais eficaz, porque o próprio conteúdo consumido mantém o cérebro ativado.

Mantenha regularidade de horários

Estabelecer horários consistentes para dormir e acordar, inclusive durante os fins de semana, ajuda a estabilizar o ritmo circadiano. A rotina regular é apontada pelo médico como um elemento-chave para melhorar a qualidade do sono e para mitigar os efeitos do uso intenso de tecnologia.

Evite conteúdo estimulante à noite

Atividades como ficar nas redes sociais, acompanhar notícias, jogar ou realizar tarefas de trabalho aumentam a atividade de circuitos de atenção e de recompensa no cérebro, prolongando o tempo necessário para adormecer. Nitsche alerta que esses conteúdos elevam o estado de alerta e comprometem o relaxamento noturno.

Imagem: Matheus Melo/ Canaltech

Afaste o celular do quarto

Manter o celular fora do quarto ou distante da cama reduz a probabilidade de interrupções por notificações e a tentação de usar o aparelho ao despertar. Essa prática auxilia a evitar despertares frequentes e contribui para um sono mais contínuo e restaurador.




Na visão do especialista, preservar o período de sono é fundamental, pois ele representa um processo ativo de restauração e consolidação de memória; por isso, ordenar hábitos que protejam esse intervalo deve ser prioridade, mesmo com a vida cada vez mais conectada.

Com informações de Canaltech