Com a divulgação de dados positivos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2025, uma mudança fiscal passou a ser foco de analistas: a nova faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).

A medida, em vigor desde janeiro de 2026, elimina o imposto para contribuintes com rendimento até R$ 5.000 mensais e estabelece uma faixa de transição na qual a alíquota é reduzida de forma progressiva até desaparecer para rendimentos a partir de R$ 7.350.

Levantamento do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Daycoval projeta que a alteração na tabela do IR deve acrescentar 0,3 ponto percentual ao PIB de 2026 em um cenário médio. Os economistas do banco ressaltam, no entanto, que esse impacto depende da manutenção da força do mercado de trabalho ao longo do ano.

Com base em informações da Receita Federal, o estudo estima que 17 milhões de brasileiros serão alcançados pela nova regra: 11 milhões ficarão totalmente isentos do imposto e 6 milhões passarão a integrar a faixa de transição. A renúncia fiscal anual prevista é de aproximadamente R$ 30 bilhões.

Para onde vai o dinheiro?

O relatório aponta que o principal efeito sobre o consumo deve ocorrer entre famílias de classe média e baixa — aquelas com renda entre 2 e 5 salários mínimos —, grupo com maior propensão a gastar a renda adicional. O setor de Habitação e Utilidades deve concentrar a maior parte do impacto, com R$ 10,2 bilhões do incremento de consumo estimado, o equivalente a 34,1% do total.

Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, explica que grande parte da renda extra tende a ser destinada a gastos com moradia, que já representam peso significativo nas despesas dessas famílias, ao lado da alimentação. Em seguida, Transporte e Veículos é apontado como o segundo setor mais afetado, com R$ 4,1 bilhões, e deve apresentar efeitos heterogêneos, incluindo migração do consumo para itens como refeições fora de casa.

O papel do Banco Central

O estudo dialoga com um otimismo cauteloso sobre a resistência do consumo diante da política monetária. Cardoso projeta impacto imediato no início de 2026, com possibilidade de crescimento de 0,8% a 0,9% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, em grande parte atribuído à isenção do IR.

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Ao mesmo tempo, os analistas destacam o risco inflacionário de um choque de demanda. Caso o aumento do consumo eleve a inflação, o Banco Central pode ajustar sua postura e reduzir menos os juros do que previsto.

E a indústria?

Do ponto de vista da oferta, o ganho de PIB deve se materializar primeiro no setor de serviços; a indústria tende a reagir de forma consequente, em uma dinâmica em cadeia. Cardoso salienta que o varejo servirá como termômetro: se o consumo se direcionar à compra de bens industrializados, a indústria deverá acompanhar por meio da reposição de estoques.

Os impactos finais dependerão, portanto, da composição do consumo e da evolução do mercado de trabalho ao longo de 2026.

Com informações de Forbes