Quatro homens morreram e seis ficaram feridos após um tiroteio entre ocupantes de uma lancha rápida registrada na Flórida e tropas de fronteira cubanas na costa da ilha, informou o Ministério do Interior de Cuba na quarta-feira.

O que houve

Segundo o comunicado oficial, a embarcação aproximou-se a cerca de 1 milha náutica a nordeste do canal de El Pino, ao norte de Corralillo, na província central de Villa Clara. Cinco guardas de fronteira cubanos, em um barco governamental, dirigiram-se à lancha para verificar documentos quando, de acordo com as autoridades, os ocupantes abriram fogo contra os agentes, atingindo um comandante.

O governo relatou que, até o momento do informe, quatro dos atacantes foram mortos e seis ficaram feridos. Os feridos foram evacuados e receberam atendimento médico. A mídia estatal citou um segundo comunicado do Ministério do Interior afirmando que os homens a bordo portavam armas, coquetéis molotov, coletes à prova de bala e roupas camufladas.

Quem eram os ocupantes

A reportagem estatal informou que os 10 homens na lancha eram cidadãos cubanos residentes nos Estados Unidos. Declarações preliminares de detidos, segundo o ministério, indicaram intenção de realizar “uma infiltração com fins terroristas”, sem detalhar como o governo chegou a essa conclusão.

As autoridades também prenderam um homem que disse ter viajado de avião até Cuba para encontrar a lancha. O segundo comunicado afirmou que a maioria dos passageiros tinha histórico criminal ou de violência. Registros da Flórida apontam que a embarcação associada ao número de registro informado por Havana aparenta ser um Pro-Line de 24 pés, fabricado em 1981.

Reações nos EUA

O secretário de Estado, Marco Rubio, que estava em São Cristóvão e Nevis, disse a jornalistas que os Estados Unidos investigam o caso, mas, até o momento, dependem das informações fornecidas pelo governo cubano. “À medida que obtivermos mais informações, estaremos preparados para responder de acordo”, afirmou, acrescentando que o incidente não fazia parte de operação dos EUA nem envolveu pessoal do governo americano.

Imagem: Divulgação

O deputado republicano da Flórida Carlos A. Gimenez pediu investigação imediata e qualificou o episódio como “massacre”. O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, determinou abertura de inquérito pelo Escritório de Promotoria Estadual. Em declaração, Uthmeier disse que “O governo cubano não é confiável, e faremos tudo ao nosso alcance para responsabilizar esses comunistas”.

Contexto

O episódio ocorre em meio a tensões entre Washington e Havana. Medidas adotadas pela administração Trump, como a interrupção do envio de petróleo para Cuba e ameaças de tarifas a fornecedores, foram criticadas pelo governo cubano. Analistas apontam que a ilha enfrenta forte escassez de combustíveis, alta dos preços dos alimentos e que a economia cubana está em declínio.

O governo começou a divulgar nomes de alguns dos mortos e feridos na noite de quarta-feira.

Com informações de Infomoney