Preocupações sobre o impacto da inteligência artificial na força de trabalho ganharam intensidade após alertas de investidores e economistas. O Goldman Sachs afirmou, na terça-feira (23), que a adoção mais rápida de IA pode elevar o nível de desemprego nos Estados Unidos ainda este ano, com cortes já ocorrendo em setores mais expostos à automação.

Economistas do banco estimaram que a tecnologia foi responsável por perdas líquidas de 5.000 a 10.000 empregos por mês nos setores mais vulneráveis dos EUA no ano passado. Segundo o Goldman, a IA também representou 7% do total de demissões planejadas em janeiro.

Empresas que anunciaram cortes ligados à IA

Agora — Em dezembro, o grupo de mídia polonês informou a intenção de demitir até 166 funcionários, equivalente a 6,56% de seu quadro, como parte de uma reestruturação para fortalecer seu negócio digital.

Allianz — Fontes consultadas pela Reuters relataram em novembro que o grupo alemão de seguros pretende eliminar até 1.800 vagas na divisão de seguros de viagem, à medida que processos manuais são substituídos por IA.

Amazon — A empresa confirmou, em 28 de janeiro, cortes de 16.000 cargos corporativos e não descartou novas reduções enquanto avança em uma reorganização voltada à IA e à eficiência.

Autodesk — Em 22 de janeiro, a fabricante de software anunciou a redução de cerca de 7% de sua força de trabalho global, aproximadamente 1.000 postos, para redirecionar investimentos à sua plataforma em nuvem e a iniciativas de IA.

British American Tobacco — Em 12 de fevereiro, a companhia informou um novo programa de produtividade impulsionado por IA que deve resultar em cortes, sem detalhar o número de empregos afetados.

Dow — A produtora química declarou em 29 de janeiro que eliminará por volta de 4.500 posições, cerca de 13% de seu quadro total, ao simplificar processos com automação e IA.

Hp Inc — Em novembro, a fabricante americana de computadores e impressoras informou que espera reduzir entre 4.000 e 6.000 empregos globalmente até o ano fiscal de 2028, à medida que otimiza operações e adota IA.

Mercado Livre — A empresa argentina de e-commerce demitiu 119 funcionários em um movimento relacionado à expansão em IA, segundo reportagem da Folha de S. Paulo em 12 de janeiro.

Imagem: Getty Images

Meta — A controladora do Facebook e Instagram anunciou cortes superiores a 1.000 empregos na unidade Reality Labs, em uma transição do metaverso para dispositivos de IA, conforme a Bloomberg em 13 de janeiro. A empresa também informou, em outubro, a redução de cerca de 600 posições em seus Superintelligence Labs.

Nike — Fontes disseram à Reuters em janeiro que a empresa demitirá 775 trabalhadores enquanto busca aumentar margens e acelerar o uso de automação.

Pinterest — Em janeiro, a plataforma afirmou que reduzirá até 15% de sua força de trabalho para realocar recursos a funções e estratégias centradas em IA.

Seb — A fabricante francesa de eletrodomésticos divulgou em 25 de fevereiro um plano de reestruturação que aproveitará “plenamente” as possibilidades da IA, podendo afetar até 2.100 empregos no mundo até 2027.

Telstra — O maior grupo de telecomunicações da Austrália planeja cortar 650 postos em uma reestruturação impulsionada por IA em parceria com a Infosys, informou o jornal The Australian em 11 de fevereiro.

Wisetech — Em 25 de fevereiro, a empresa de software da Austrália afirmou que vai eliminar cerca de 2.000 empregos, quase um terço de sua força de trabalho global, enquanto integra IA aos produtos e operações.

As movimentações corporativas evidenciam um movimento global de readequação de quadros motivado por automação e projetos de inteligência artificial, com efeitos já mensuráveis em diversos setores.

Com informações de Forbes