O Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu a queixa-crime apresentada pelo deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) contra a influenciadora e ex-mulher Cíntia Chagas, acusada de calúnia, injúria e difamação. A decisão também determinou que o processo que trata das alegações de violência doméstica tramite em segredo de Justiça, com a justificativa de resguardar a intimidade das partes.

Bove responde a uma ação penal por suposta agressão ocorrida durante o casamento, em 2024. Na peça encaminhada ao Judiciário, o parlamentar acusa Cíntia de divulgar, em redes sociais e entrevistas, informações consideradas sigilosas da investigação, além de proferir ofensas repetidas que teriam atingido sua honra e reputação.

Na queixa-crime, o deputado afirma que a divulgação de dados protegidos por sigilo e a repetição de ataques verbais provocaram prejuízos consideráveis à sua imagem pública, configurando, segundo a petição, uma campanha de difamação e desgaste moral. O documento também sustenta que a influenciadora teria apresentado, de forma intencional, versão distorcida dos fatos com o objetivo de prejudicar o querelante.

O Ministério Público manifestou-se favoravelmente ao recebimento da queixa-crime e concordou com a medida do segredo de Justiça proposta para o processo relacionado às alegações de violência doméstica, apontando a necessidade de preservação da esfera íntima dos envolvidos enquanto as apurações seguem em curso.

A magistrada responsável pelo caso, contudo, negou os pedidos cautelares formulados por Bove. O deputado havia solicitado, entre outras medidas, a suspensão do perfil da influenciadora nas redes sociais, a retirada de publicações e a proibição de conceder entrevistas; esses pleitos foram rejeitados pela juíza.

Imagem: Reprodução/Instagram

A defesa de Cíntia Chagas, representada pela advogada Gabriela Mansur, enfatizou que o acolhimento da queixa-crime não implica condenação ou juízo de culpa, tratando-se do ato inicial de processamento de uma acusação. A advogada acrescentou que, embora discorde do modo como a ação foi proposta, o direito de acesso ao Judiciário e à ampla defesa é assegurado a qualquer cidadão, e que preocupa o contexto em que a iniciativa processual foi apresentada.

O caso seguirá em tramitação na Justiça paulista com as restrições impostas pelo segredo de Justiça enquanto forem mantidas as razões apontadas para proteger as partes envolvidas.

Com informações de Conexaopolitica