O valor do seguro de automóvel no Brasil é definido por uma série de fatores que incluem a região de circulação, o modelo do veículo, o gênero do condutor e o histórico de sinistros, segundo especialistas do mercado ouvidos pelo InfoMoney.
Na questão do gênero, a seguradora Zurich aponta que, para um carro popular que roda na região metropolitana de São Paulo, um homem de 35 anos paga, em média, entre R$ 3.200 e R$ 3.500 por um seguro completo. Para uma mulher da mesma idade, o custo costuma ficar entre R$ 2.900 e R$ 3.200. Já levantamento da corretora digital Creditas Seguros indicou que mulheres chegam a pagar, em média, R$ 518,10 a mais pelo seguro auto em outra medição.
A sinistralidade — frequência e custo de acidentes, roubos e furtos — é um dos fatores que mais influenciam a cotação. “As maiores oscilações costumam ocorrer em veículos que passam a ser alvo de quadrilhas especializadas, muitas vezes para suprir demandas específicas, como a falta de peças, e em regiões onde há aumento generalizado da criminalidade ou dos custos de reparo”, explica Thales Lemos, diretor de seguro auto da Mapfre.
O aumento no preço das peças e da mão de obra também pressiona os prêmios. Veículos mais novos têm tecnologias embarcadas, como sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) com sensores e câmeras, cuja reparação envolve componentes eletrônicos sofisticados. Isso eleva o custo do conserto e tende a resultar em franquias e seguros mais caros, especialmente em modelos importados ou com maior nível de tecnologia. A franquia é o valor ou percentual definido na apólice pelo qual o segurado é responsável em caso de sinistro.
Diferenças regionais, por idade e por tipo de contratação
A localização do veículo segue como determinante nos preços: regiões metropolitanas, com maior fluxo e índices mais elevados de roubos e colisões, registram prêmios mais altos que áreas do interior. Picapes, historicamente visadas para roubo e desmanche, costumam ter seguros mais caros.
Dados do IPSA (Índice de Preço do Seguro de Automóvel), desenvolvido pela TEx, da Serasa Experian, mostram que janeiro de 2026 registrou 4,7% no seguro de automóveis, abaixo dos 5,5% de janeiro de 2025, indicando queda ao longo de 2025. No segmento de motos, o IPSM encerrou janeiro de 2026 em 8,8%, após pico de 10,1% em julho de 2025.
Segundo Emir Zanatto, head de seguros da Serasa Consumidor, o mercado começou 2026 mais equilibrado, com estabilidade no seguro auto e correção nas motos após o pico de risco de 2025. Persiste, porém, variação regional: em janeiro, a região metropolitana do Rio de Janeiro teve índice de 6,3% no seguro de automóveis, enquanto Curitiba ficou em 2,9%. A idade também influencia: condutores de 18 a 25 anos pagam mais do que o dobro do que motoristas com 56 anos ou mais.
O tipo de contratação altera o valor: seguros novos apresentam índices mais altos (6% no auto), enquanto renovações com a mesma corretora tendem a ficar em patamares inferiores (4%), refletindo o histórico do segurado.
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Vale a pena contratar seguro?
Diante de prêmios que podem superar R$ 3 mil ao ano, a decisão depende da exposição ao risco que o proprietário aceita assumir. Em caso de perda total de um carro popular seminovo, o prejuízo pode alcançar R$ 60 mil, segundo referência da tabela FIPE, sem considerar custos de documentação e possíveis despesas com terceiros.
“Para muitas famílias, isso representa a perda de um dos principais ativos e pode comprometer anos de planejamento financeiro”, afirma Camila Kataguiri, CEO da Pier Seguradora. Ela observa que o custo médio mensal do seguro, hoje em torno de R$ 180, é relativamente baixo diante do risco envolvido.
João Merlin, diretor de Negócios em Automóvel da Zurich Seguros, alerta que mesmo colisões menores têm impacto relevante: o custo médio de reparação pode ser, em média, três vezes maior do que uma franquia reduzida. Ele exemplifica que a troca de para-choque de um Hyundai HB20 pode variar de R$ 800 a R$ 1.000 em oficina, enquanto a franquia contratada costuma ficar entre R$ 250 e R$ 350.
Quem busca reduzir a apólice pode avaliar coberturas mais restritas: a Mapfre informa que a cobertura exclusiva para roubo e furto pode ser, em média, 25% a 30% mais barata que a cobertura completa. Segundo Kataguiri, o importante é escolher uma proteção compatível com o perfil de risco de cada motorista.
Leitores com dúvidas sobre o tema podem enviar perguntas para [email protected] que especialistas serão consultados para responder.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6