TRANSMISSÃO: dengue? apareceu primeiro em Olhar Digital

Por que nem todo mosquito transmite a dengue?

A dengue é causada pelo vírus DENV e, no Brasil, a transmissão ocorre por meio da picada de mosquitos das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus. No entanto, nem todos os mosquitos são capazes de transmitir o vírus: para que a transmissão aconteça, três condições precisam ser atendidas simultaneamente — o inseto ser do sexo feminino, pertencer a uma das espécies compatíveis e já estar infectado.

O processo de transmissão começa quando uma fêmea infectada pica uma pessoa. A saliva do mosquito carrega partículas virais que entram na corrente sanguínea do ser humano, iniciando a infecção. Do mesmo modo, um mosquito torna-se infectado somente após se alimentar do sangue de um indivíduo que já esteja com dengue. Se nenhum desses contatos ocorrer, o inseto não poderá repassar o vírus a outras pessoas.

Além disso, o vírus da dengue tem compatibilidade restrita com os vetores: apenas Aedes aegypti e Aedes albopictus conseguem sustentá-lo e permitirem sua multiplicação. Assim, a picada de outras espécies hematófagas não resulta em transmissão, pois o organismo desses mosquitos não favorece a replicação do DENV.

Outra distinção importante é a diferença comportamental entre machos e fêmeas. Os machos alimentam-se predominantemente de substâncias açucaradas, como néctar e seiva, e não costumam picar humanos. Já as fêmeas são hematófagas e buscam sangue para maturação dos ovos; por isso, são elas que efetivamente transmitem a doença. A fêmea também pode produzir centenas de ovos a partir de um único acasalamento, o que favorece a proliferação da espécie quando há condições ambientais propícias.

Sobre a origem do vírus, estudos indicam que o DENV circulava originalmente em um ciclo silvestre entre mosquitos e primatas não humanos, possivelmente na África e no Sudeste Asiático. Esse ciclo permitiu mutações ao longo do tempo e, eventualmente, adaptação de algumas linhagens do vírus ao ambiente urbano e ao Aedes aegypti. Com a urbanização e o aumento do contato entre pessoas e mosquitos vetores, estabeleceu-se o ciclo de transmissão entre humanos e insetos que observamos hoje.

Imagem: Divulgação

A chegada da dengue a novas regiões também foi favorecida por movimentos humanos e comerciais: a expansão marítima a partir do século XVI contribuiu para a dispersão tanto do mosquito quanto do vírus para outras partes do mundo, ampliando a circulação da doença.

Atualmente, a única forma conhecida de contrair dengue é pela picada de um mosquito infectado das espécies mencionadas, e o vírus não é nativo dos mosquitos — ele entra no organismo do vetor após a ingestão de sangue de um humano infectado.

Com informações de Olhardigital