O economista e doutor em Relações Internacionais Igor Lucena afirmou que a recente escalada militar no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã já começa a gerar efeitos relevantes na economia global. Em análise sobre os acontecimentos do último fim de semana, ele relacionou os desdobramentos do conflito aos riscos para mercados internacionais, incluindo o Brasil.

Lucena destacou que a ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã — que teria resultado na retirada do poder do aiatolá Ali Khamenei e de parte da Guarda Revolucionária — desencadeou uma série de reações regionais. Segundo o economista, o conflito “já está se espalhando pelo planeta” e traz sinais preocupantes para a estabilidade geopolítica.

Como primeiros reflexos, ele apontou a ampliação das tensões em países vizinhos, com o Irã atingindo áreas de Israel e do Kuwait, além de aeroportos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita. Essas nações, observou, passam a reforçar defesas e considerar retaliações, em parte por estarem mais alinhadas ao Ocidente e por precisarem demonstrar capacidade de proteção frente a ações hostis iranianas.

O economista também citou ataques a bases britânicas em Chipre, membro da União Europeia, o que tende a pressionar países como França, Alemanha e Reino Unido a adotarem uma postura mais ativa diante da crise.

Energia no centro da tensão

Na avaliação de Lucena, o mercado energético já registrou impacto imediato: o preço do barril de petróleo subiu cerca de 10%. Ele ressaltou que o fechamento do Estreito de Ormuz poderia comprometer aproximadamente 20% da circulação mundial de petróleo e prejudicar a exportação de gás do Qatar, reduzindo oferta em um contexto de demanda ainda elevada e elevando os preços.

No Brasil, os efeitos são descritos como mais complexos e espalhados por vários setores. A elevação no preço do petróleo tende a pressionar os preços domésticos de combustíveis, ainda que parte do impacto possa ser absorvida pela Petrobras. Isso pode provocar efeitos inflacionários indiretos em cadeias produtivas dependentes do transporte rodoviário.

Economista Igor Lucena alerta para impactos econômicos da escalada militar no Oriente Médio

Imagem: Divulgação

Lucena observou também a possibilidade de a autoridade monetária adotar postura mais cautelosa; quanto mais prolongado o conflito, maior a dificuldade do Banco Central (BC) em reduzir taxas de juros, diante de um choque externo inflacionário.

Internacionalmente, a intensificação das hostilidades aumenta a instabilidade financeira, eleva custos de seguros e afeta setores como turismo, aviação, transporte marítimo e cadeias globais de suprimento. A tendência é de maior volatilidade nos mercados e migração de investidores para ativos defensivos, como o ouro.

O desenrolar da crise no Oriente Médio deverá influenciar tanto o equilíbrio geopolítico regional quanto o comportamento dos mercados globais nas próximas semanas, especialmente no setor energético e nas expectativas de inflação.

Com informações de Portalin