Um roedor nativo de desertos rochosos do Oriente Médio, conhecido como camundongo espinhoso-dourado, exibe características que podem ajudar a entender o envelhecimento saudável em mamíferos. Estudos mostram que essa espécie vive até cinco anos na natureza, enquanto outros camundongos selvagens raramente ultrapassam nove meses, e mantém funções físicas e cognitivas preservadas ao longo da vida.

A informação foi relatada pelo MedicalXpress e detalhada em artigo assinado, entre outros, por Hee-Hoon Kim e Vishwa Deep Dixit. O trabalho, intitulado “Resistores imunometabólicos do envelhecimento em camundongos espinhosos dourados de longa vida”, foi publicado na Science Advances e está disponível no DOI https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.aec9991.

Regeneração, timo e cognição preservados

Os pesquisadores compararam indivíduos jovens e idosos da espécie com outras espécies de camundongos e identificaram diferenças marcantes em vários sistemas biológicos. No espinhoso-dourado, a pele consegue regenerar sem formar cicatrizes mesmo em animais mais velhos, o que indica mecanismos de reparo tecidual que permanecem eficazes com o avanço da idade.

Outra descoberta é a preservação funcional do timo, órgão responsável pela maturação de células do sistema imune, que em humanos e muitos vertebrados encolhe com o tempo. Nos camundongos estudados, o timo manteve-se funcional em fases avançadas da vida, contribuindo para um sistema imune ativo na velhice.

Testes comportamentais apontaram que indivíduos idosos da espécie não apresentaram o declínio de memória e aprendizado frequentemente observado em outros roedores. Segundo os autores, a manutenção simultânea da regeneração cutânea, da função tímica e da cognição indica que múltiplas vias biológicas relacionadas ao envelhecimento permanecem operantes por mais tempo nesse modelo natural.

Entre as características relatadas pelos pesquisadores estão: regeneração de pele sem cicatriz durante a vida; timo preservado e sistema imune funcional em animais idosos; manutenção de memória e aprendizado na velhice; menor inflamação crônica associada ao envelhecimento; e expressão elevada de proteínas ligadas à longevidade.

Clusterina e efeitos anti-inflamatórios

O estudo identificou níveis elevados da proteína clusterina no tecido adiposo de animais idosos. A clusterina atua na remoção de proteínas defeituosas e pode reduzir efeitos tóxicos. Em humanos, concentrações maiores dessa proteína têm sido associadas a menor neuroinflamação e maior longevidade em pessoas idosas.

Imagem: Divulgação

Em experimentos, a administração de clusterina a camundongos de laboratório resultou em menor declínio motor, órgãos com aspecto mais saudável e sinais reduzidos de inflamação crônica relacionada à idade (inflammaging). Células brancas humanas expostas à proteína também mostraram respostas anti-inflamatórias nos testes descritos pelos autores.

Além dos fatores moleculares, a espécie apresenta adaptações comportamentais e ecológicas que podem favorecer a sobrevivência: é ativa durante o dia, evita competição e predadores noturnos, resiste a certas toxinas e reduz o gasto energético em períodos de escassez, aspectos que os pesquisadores mencionam como vantajosos para a seleção natural.

O trabalho acrescenta dados sobre mecanismos naturais de longevidade e reservas biológicas que podem orientar pesquisas futuras sobre terapias para envelhecimento saudável.

Com informações de Olhardigital