Plantação na Vila Mariana amplia coleção de variedades resistentes

O maior cafezal urbano do planeta, localizado no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, recebeu nesta semana cerca de 1.500 novas mudas de café para ampliar estudos sobre resistência a pragas, doenças e a mudanças climáticas.

O plantio, mantido pelo Instituto Biológico de São Paulo, agora soma mais de 2.000 pés de café e inclui variedades de arábica desenvolvidas para tolerar pragas e a ferrugem do café, além de cultivares com maior resistência à seca. Entre as mudas adicionadas, 300 são específicas para lidar com déficit hídrico.

Fundado em 1927, o Instituto Biológico iniciou suas atividades enfrentando uma crise causada por pragas como a broca do café, inseto que destrói os grãos dentro das cerejas. Segundo a pesquisadora e engenheira agrícola Harumi Hojo, o instituto utilizou parasitóides como estratégia de controle biológico para conter a praga. Em declaração à Reuters na quinta-feira (05), ela mostrou, com duas cerejas de café na mão, a diferença entre um fruto saudável e outro atacado pela broca.

Ao longo dos anos, a instituição ampliou o escopo das pesquisas para examinar fatores como solo e clima. Cultivando lado a lado diversas variedades nas mesmas condições, os cientistas conseguem comparar diretamente como cada planta responde a pragas, doenças e às pressões impostas pelas mudanças climáticas, explicou Hojo.

O Brasil é o maior produtor mundial de café arábica e o segundo maior produtor de cafés canéfora, grupo que inclui variedades como robusta e conilon. No plantio urbano da Vila Mariana, as novas mudas de arábica incluem genótipos considerados mais tolerantes à ferrugem e a ataques de insetos, bem como opções que demandam menos irrigação.

Imagem: REUTERS/Lais MoraisImagem de drone obtida do cafezal urbano em São Paulo

Hojo ressaltou que o desenvolvimento de plantas que necessitem de menor uso de água — por exemplo, que possam ser irrigadas com água de chuva captada — é uma prioridade, diante da expectativa de que o aumento de temperatura e a redução da disponibilidade hídrica se tornem desafios maiores no futuro.

Com as adições desta semana, o cafezal urbano passa a abrigar um conjunto mais amplo de variedades destinadas a fornecer dados sobre tolerância a pragas, doenças e às condições climáticas.

Com informações de Forbes