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A Embraer informou que a isenção de tarifas aplicada aos seus aviões pelos Estados Unidos deve permitir uma recuperação progressiva da rentabilidade que foi afetada no último ano. A decisão da Casa Branca, tomada no final de fevereiro, devolve ao fabricante brasileiro acesso ao mercado norte-americano sem o acréscimo de 10% que vinha sendo cobrado.

Durante a teleconferência de resultados, o CEO Francisco Gomes Neto afirmou que a medida traz “igualdade de condições” ao setor e beneficiará os clientes nos EUA. Em 2025, as tarifas chegaram a reduzir o resultado da Embraer em US$ 54 milhões; considerando aeronaves e peças adquiridas que já suportaram o encargo, o impacto total sobe para US$ 80 milhões.

No quarto trimestre, o efeito das tarifas foi de US$ 27 milhões. O segmento de Aviação Executiva concentrou a maior parte desse custo: foram US$ 24 milhões no trimestre para linhas como Phenom, Praetor e Legacy. Apesar disso, a margem operacional desse segmento ficou em 10,5% no período, suportada por maior volume de vendas e preços mais altos.

Contexto e impactos

As cobranças começaram em abril de 2025, quando o governo de Donald Trump implementou uma taxa mínima global de 10% sobre importações. Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte americana considerou ilegal o modo como a tarifa foi instituída, e a Casa Branca publicou uma nova tarifa global temporária de 10% que expressamente isenta aeronaves, motores e peças aeroespaciais.

Apesar da mudança regulatória, a Embraer manteve uma postura cautelosa: o guidance financeiro para 2026 segue assumindo, por precaução, a hipótese de tarifa de 10%. “Ainda está muito nebuloso o que vai acontecer daqui para frente”, declarou o CFO Antônio Garcia.

A companhia estima que a melhora nas margens será gradual, pois parte do estoque ainda carrega o custo das tarifas já pagas. A empresa projeta que cerca de dois terços do ganho aparecerão em 2026, e o restante em 2027. No total, a expectativa é de aumento de até 1 ponto percentual na rentabilidade.

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Outra questão em análise é a possibilidade de recuperar parte dos valores desembolsados com as tarifas. A direção da Embraer informou que está observando as ações dos pares do setor antes de decidir eventuais medidas para reaver esses custos.

Desempenho de 2025

Mesmo sob pressão das tarifas, a Embraer registrou em 2025 a maior receita líquida da sua história: R$ 41,9 bilhões, alta de 18% ante 2024. O resultado foi impulsionado sobretudo por Defesa & Segurança, com avanço de 36%, e Aviação Executiva, com crescimento de 24%.





A carteira de pedidos firmes atingiu US$ 31,6 bilhões, aumento de 20% no ano, com forte contribuição da Aviação Comercial, cujas encomendas subiram 42%. A companhia entregou 244 aeronaves em 2025, incremento de 18% em relação a 2024 — sendo 155 jatos executivos, 78 comerciais e 11 aeronaves de defesa, incluindo três KC-390 Millennium.

As projeções da empresa e as decisões sobre eventuais recuperações de tarifas devem seguir sendo acompanhadas nos próximos meses, à medida que o ambiente regulatório e as ações do setor se definirem.

Com informações de Investnews