Beth Hammack, presidente do Federal Reserve de Cleveland, afirmou na sexta-feira que espera queda nas pressões inflacionárias, mas advertiu que o banco central dos Estados Unidos poderá adotar política monetária mais restritiva caso a inflação não recue ao longo deste ano.

Em entrevista à Reuters, Hammack disse que sua expectativa é de que a inflação evolua na direção da meta de 2%. “Não acho que chegaremos lá até o final deste ano, mas acho que faremos um progresso razoável”, declarou, segundo a transcrição da entrevista.

A autoridade ponderou que, diante das perspectivas atuais, “os juros devem permanecer inalterados por… um bom tempo”. Ao mesmo tempo, ressaltou que, se a trajetória dos preços não apontar para a meta, o Fed terá de considerar medidas adicionais para garantir o retorno da inflação ao patamar desejado.

Hammack afirmou ainda que, caso a inflação não esteja se aproximando da meta no segundo semestre deste ano — cenário que ela espera não ocorrer —, isso poderia justificar uma postura mais restritiva na política monetária. Por outro lado, explicou que não é necessário atingir a meta de 2% para que o Fed possa flexibilizar os juros: uma redução seria considerada se houvesse forte confiança de que a inflação está a caminho de alcançar o objetivo.

A presidente do Fed de Cleveland também destacou a incerteza trazida pela alta dos preços do petróleo, atribuída no relato à guerra do presidente Donald Trump contra o Irã. Hammack disse ser “muito cedo para saber” o efeito final desse choque sobre a inflação, observando que a magnitude e a persistência do aumento do petróleo — se durar uma semana, dois meses ou mais — determinarão parte do impacto econômico subjacente.

Imagem: REUTERS/Mike Segar

Segundo ela, um choque prolongado nos preços do petróleo pode tanto elevar a inflação quanto enfraquecer fatores importantes da economia, como crescimento e contratações. Nessas circunstâncias, o Fed precisará avaliar os efeitos combinados antes de decidir qual deve ser a resposta da política monetária.

Hammack acrescentou que é possível, embora não garantido, que a inflação atinja 2% até 2027, mantendo a necessidade de acompanhamento rigoroso dos dados para orientar futuras decisões do banco central.

Com informações de Forbes