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A cidade de Guadalajara busca transmitir segurança a torcedores a 100 dias do início da Copa do Mundo, após ter sido abalada na semana passada por uma onda de violência motivada pela morte do narcotraficante Nemesio “El Mencho” Oseguera.
O governo mexicano e a Fifa afirmaram que existem condições para que a segunda maior metrópole do país receba partidas do torneio e a repescagem intercontinental, prevista para o fim de março, quando seis seleções disputarão as duas últimas vagas para o Mundial.
Guadalajara foi o epicentro, no último domingo, da retaliação do Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG) após a operação militar que resultou na morte de Oseguera, para o qual os Estados Unidos haviam oferecido recompensa de US$ 15 milhões (R$ 77 milhões). A série de ataques deixou mais de 70 mortos e provocou bloqueios de estradas, veículos incendiados e fechamento de comércios, além de um clima de terror na cidade.
A violência atingiu 20 dos 32 estados do México, embora as outras duas sedes do torneio — Cidade do México e Monterrey, esta última também responsável pela repescagem — não tenham registrado incidentes relacionados ao ataque.
“Todos estarão preparados (…) em termos de segurança”, afirmou Silvia Rivera, professora aposentada de 68 anos, à AFP, enquanto Guadalajara retomava suas atividades entre terça e quarta-feira.
Garantias e medidas de segurança
A presidente Claudia Sheinbaum pediu tranquilidade aos turistas: “Podem ficar tranquilos, pois estão chegando a um lugar seguro e pacífico”, disse na sexta-feira, dirigindo-se aos visitantes que devem acompanhar a Copa, a maior da história com 48 seleções, organizada por México, Estados Unidos e Canadá. Em ligação na quinta-feira, ela afirmou ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que o país “voltou à normalidade”, e o dirigente reiterou sua “total confiança” no México.
Autoridades de Jalisco haviam indicado que a segurança durante a Copa contaria com drones, bloqueadores de sinal para aeronaves não tripuladas e videovigilância com inteligência artificial. O diretor-geral do centro estadual de controle e monitoramento, Juan Carlos Contreras, informou que o número de câmeras passaria de 7.000 para 13.000.
Após os ataques do cartel, a AFP questionou as autoridades estaduais sobre medidas adicionais, sem obter resposta imediata. Enquanto isso, guias turísticos e comerciantes relatam um retorno gradual das atividades.
Desaparecimentos e protestos
A região metropolitana de Guadalajara também concentra o maior número de desaparecimentos no país. Desde 2006, com a operação militar antidrogas federal, o problema se acentuou. Em Jalisco foram localizadas pelo menos 300 valas clandestinas com corpos de pessoas desaparecidas, inclusive nas proximidades do Estádio Akron, onde serão realizados jogos da Copa.
Carmen Chinas, professora da Universidade de Guadalajara, afirmou que “a principal hipótese” para muitos desaparecimentos é o recrutamento forçado por organizações criminosas. Grupos de busca anunciam manifestações durante o Mundial, e autoridades reconhecem que potenciais protestos representam um “risco” para o torneio. Na sexta-feira, em Cidade do México, manifestantes exibiram faixas com a mensagem “por trás da Copa, se escondem as valas e as tropas”.
Na esfera pessoal, moradores continuam a lidar com perdas e incertezas: o garçom José Raúl Servín, de 54 anos, procura pelo filho Raúl desde abril de 2018, quando ele foi sequestrado. Servín disse sentir “uma grande tristeza” com a proximidade da Copa, já que o filho era fã de futebol. Por outro lado, o guia turístico Misael Robles, de 31 anos, que chegou a cancelar passeios entre domingo e terça-feira, observou nos últimos dias um retorno gradual dos visitantes e afirmou que “não falta otimismo” ao retomar excursões a locais como Tequila e Chapala.
As autoridades e a Fifa mantêm a garantia de que Guadalajara receberá partidas do Mundial e a repescagem intercontinental no fim de março, mas seguem sob pressão para demonstrar capacidades de segurança e lidar com os desafios de violência e desaparecimentos na região.
Com informações de Gazetaesportiva

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6