Transmissão: Band
Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a farmacêutica Cristália, iniciaram a próxima etapa de testes clínicos da polilaminina, molécula que gera expectativa como potencial tratamento para lesão medular. A farmacêutica já aportou R$ 100 milhões na pesquisa, conduzida pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho, cuja equipe trabalha no tema há mais de 25 anos.
O que é e como foi descoberta
A polilaminina surgiu de um achado em laboratório ao se manipular a proteína laminina: em vez de se desagregar, as moléculas se agregaram formando uma estrutura em rede. No sistema nervoso, lamininas atuam como suporte para o crescimento dos axônios, estruturas dos neurônios responsáveis pela condução de sinais. A hipótese é que a polilaminina possa servir de base para que axônios rompidos pela fratura da medula voltem a crescer e restabelecer a comunicação entre cérebro e corpo.
Estudos pré-clínicos e piloto
Após testes em culturas celulares e em animais, com resultados favoráveis em ratos, a equipe realizou um estudo-piloto entre 2016 e 2021, aplicando a substância em oito pacientes com lesão medular completa ocorrida por quedas, colisões ou ferimentos por arma de fogo. Sete dos oito passaram também por cirurgia de descompressão da coluna nos primeiros três dias após a lesão.
Três participantes morreram em razão da gravidade dos ferimentos — duas ainda no hospital e uma posteriormente. Dos cinco que sobreviveram e receberam o tratamento combinado, houve registro de ganho motor em diferentes níveis. A evolução foi avaliada pela escala AIS, na qual quatro pacientes progrediram de A para C e um alcançou D, indicando recuperação parcial a quase completa da função sensorial e motora, sem que isso implicasse obrigatoriamente retorno à marcha em todos os casos.
Caso representativo
Um dos casos relatados foi o de Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após fratura cervical em 2018. Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, Bruno relatou movimento do dedão do pé semanas após a cirurgia de descompressão e a aplicação da polilaminina. Posteriormente, com fisioterapia na AACD, recuperou a capacidade de caminhar, mantendo limitações em alguns movimentos das mãos.
Próxima fase e desafios regulatórios
A pesquisa entra agora na fase 1 de ensaios clínicos, autorizada pela Anvisa, com início previsto para este mês e conclusão planejada até o fim do ano. Serão cinco voluntários, com idades entre 18 e 72 anos e lesões torácicas completas entre T2 e T10, submetidos ao procedimento no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo dentro de 72 horas da lesão. Por tratar-se de aplicação por injeção na medula, o estudo incluirá pacientes com lesão aguda em vez de voluntários saudáveis.
Imagem: Wikimedia Commons
Pesquisadores destacam que, embora sinais iniciais possam indicar efeito, resultados definitivos sobre eficácia costumam surgir a partir da fase 2, quando se testam diferentes doses e aumenta-se o número de participantes. A equipe prevê avaliar duas doses distintas se avançar à fase 2 e estima completar todas as fases em cerca de dois anos e meio.
Especialistas e comitês de ética apontam ainda dificuldades metodológicas, como a necessidade de grupo controle e o desafio de oferecer o tratamento de forma equitativa caso os resultados se provem positivos. A coordenadora da Inaep, Meiruze Freitas, ressaltou a importância de monitoramento contínuo e do cumprimento das etapas de pesquisa, lembrando que a lei recente (Lei 14.874/2024) reduziu prazos para análise de estudos clínicos — com respostas em até 30 dias pelos comitês de ética e 90 dias pela Anvisa.
Os pesquisadores afirmam que, se confirmada, a polilaminina poderá representar avanço inédito para pessoas com lesão medular, mas reforçam que ainda é necessário concluir as fases de ensaio para avaliar segurança, toxicidade e eficácia de forma rigorosa.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6