A entrada de produtores chineses no mercado peruano passou a preocupar a Gerdau, que vê risco de competição desfavorável para sua operação local. Reportagens da imprensa do Peru indicam que investidores chineses estariam construindo uma usina siderúrgica em Chilca, ao sul de Lima, com capacidade estimada em cerca de 700 mil toneladas de aço por ano, voltada principalmente ao abastecimento do setor de construção civil local.

De acordo com a matéria publicada originalmente pelo site Latina Noticias, o projeto da empresa Acero Lima Shenglong teria avançado sem licença de construção e sem estudo de impacto ambiental aprovado pelas autoridades peruanas, segundo apurou a imprensa local.

Em reação às notícias, a Siderperu — subsidiária da Gerdau no país — manifestou “preocupação” com iniciativas industriais que não cumpram integralmente as normas ambientais e regulatórias do Peru, além de alertar para o risco de importações por meio de práticas de dumping, quando produtos são vendidos no exterior a preços artificialmente reduzidos.

A Gerdau controla 90% da Siderperu, que opera um complexo siderúrgico em Chimbote, no norte do país, com capacidade instalada também próxima a 700 mil toneladas de aço por ano e uma rede de centros de distribuição nacionais. O porte estimado do projeto chinês, portanto, seria comparável à principal operação da companhia no Peru, o que explica a reação da empresa e de associações do setor.

Relevância local

A Alacero, associação latino-americana do aço, endossou o comunicado e ressaltou a importância de garantir “condições de competição equitativas” na região. No entanto, a operação peruana responde por parcela limitada do conjunto da Gerdau: em 2025 a divisão América do Sul — que inclui Peru, Argentina e Uruguai — representou cerca de 7% do Ebitda consolidado da companhia, enquanto a América do Norte concentrou mais de 60% da geração de caixa do grupo.

Imagem: Getty Images

O episódio ocorre em meio a um contexto global de maior oferta de aço chinês a preços baixos. No mercado brasileiro, executivos da Gerdau afirmam que a penetração de importações chegou a cerca de 25%, fator que pressionou margens e contribuiu para o pior desempenho da operação brasileira em mais de duas décadas.





Aguardar decisões das autoridades peruanas sobre licenciamento e eventuais medidas de regulação será determinante para a evolução da disputa no mercado local.

Com informações de Investnews