Mercado ao vivo e avanços na distribuição de direitos

A retomada de grandes turnês e festivais em 2025 trouxe recuperação significativa ao segmento de música ao vivo e também revelou melhorias na forma como os direitos autorais desses eventos chegam aos compositores. Nos bastidores, iniciativas operacionais da Abramus e mudanças no procedimento do ECAD permitiram acelerar o repasse de valores referentes a shows.

Quem e como

No Brasil, o ECAD é o órgão responsável por arrecadar a remuneração pela execução pública de músicas em apresentações ao vivo. A identificação das obras executadas depende do envio do set list pelo produtor do evento, documento essencial para apontar quais composições foram tocadas e a quem os créditos devem ser destinados, segundo Fernanda Audi, diretora de Operações da Abramus.

O que mudou

Um antigo entrave foi a retenção total da receita de um show quando havia múltiplos intérpretes e nem todos os roteiros eram informados: antes, 100% do montante ficava retido até a identificação completa do repertório. A Abramus propôs ao ECAD o desmembramento dos shows por intérprete, permitindo distribuir parcialmente as receitas já identificadas. Em setembro de 2024 o processo de identificação passou por automação, reduzindo a necessidade de procedimentos manuais.

De acordo com dados do ECAD, mais de 68% dos créditos distribuídos relativos a shows sem roteiros enviados pelos promotores tiveram origem em roteiros encaminhados pela Abramus.

Números do avanço

O impacto econômico ficou evidente nos indicadores: R$ 5,8 milhões distribuídos (alta de 305% em relação a 2024); tíquete médio de R$ 6.818 (+287%); e 9.058 compositores beneficiados em 2025, num total aproximado de R$ 49 milhões distribuídos.

Monitoramento e solicitação de roteiros

A Abramus também exerce papel de monitoramento, enviando agendas de shows ao ECAD com informações fornecidas por titulares e acompanhando a arrecadação até a distribuição. Em 2024 foram enviadas 2.478 agendas, com 79,34% de retorno do ECAD; entre janeiro e junho de 2025 foram 679 agendas, com 75,4% de resposta.

Distribuição de direitos de shows cresce com automação e desmembramento por intérprete

Imagem: Divulgação

Quando o produtor não encaminha o set list, a associação usa o relatório “Conta-Show ECAD” para fazer um matching de artistas associados e contatos. O setor de shows então solicita os roteiros diretamente aos artistas e envia ao ECAD para que a distribuição parcial ocorra mensalmente. Nádia Crasto, responsável pela área de shows da Abramus, destaca que essa atuação busca garantir a maior distribuição possível aos titulares.

O volume de pedidos aos artistas entre janeiro e junho de 2025 mostra a intensidade do trabalho: janeiro 954 solicitações; fevereiro 654; março 592; abril e maio somaram 2.251; e junho registrou 1.450 solicitações.

Casos de distribuição indireta

Nem todos os eventos são tratados da mesma forma. Apresentações classificadas como “música ao vivo” em estabelecimentos com cobrança mensal têm distribuição trimestral por amostragem com base em gravações do ECAD. Shows com arrecadação de até R$ 500 seguem o critério de Show Distribuição Indireta (SDI); se o roteiro não for apresentado até novembro, os valores são distribuídos de forma indireta na distribuição “extra de show”. Por isso, a Abramus orienta autores, escritórios e representantes a instruírem produtores sobre a necessidade de envio correto de agendas e roteiros ao ECAD.

O envio preciso das agendas e dos set lists impacta diretamente a previsibilidade e a agilidade no pagamento aos compositores. Sem essas informações, o repasse pode atrasar ou ocorrer de modo indireto, reduzindo a previsibilidade da receita. A Abramus afirma que seguirá aprimorando o matching e ampliando a automação para minimizar perdas por falta de informação.

O aprimoramento operacional, combinado com a automação e o desmembramento por intérprete, elevou a eficiência na distribuição de receitas de shows em 2025 e abriu caminho para novas melhorias no processo.

Com informações de Abramus.org