Transmissão: Record
Proprietários de alto patrimônio estão remodelando o mercado de imóveis de luxo ao tratar segundas, terceiras e até quartas residências como extensões permanentes de suas casas principais, segundo levantamento da indústria. Movidos por trabalho remoto, prioridades de estilo de vida, vantagens fiscais e potencial de valorização, esses compradores têm ampliado seu foco para além de destinos tradicionais como Aspen, Miami e Hamptons.
De acordo com o Relatório de Perspectivas de Luxo 2026 da Sotheby’s International Realty, a compra de segundas residências passou a responder por 28% das transações globais de imóveis de luxo. Especialistas do mercado observam também a entrada de compradores mais jovens — muitos fundadores, executivos e empreendedores na faixa dos 30 e 40 anos — que formam portfólios imobiliários voltados à mobilidade e ao uso híbrido dessas propriedades.
Além de funcionarem como refúgios ocasionais, essas casas têm sido usadas como residências principais em períodos alternados, bases para trabalho remoto e investimentos de longo prazo. Com a saturação de preços e problemas como congestionamento sazonal em destinos consagrados, investidores buscam locais com melhor custo-benefício, qualidade de vida durante todo o ano e oferta cultural mais elaborada.
Salt Lake City e Park City, Utah
A região de Salt Lake City figura entre os mercados americanos de crescimento mais acelerado, impulsionada pela expansão do setor de tecnologia e pela proximidade com estações de esqui de padrão internacional em Park City. O relatório Red Paper 2026 da The Agency aponta interesse que vai do centro de Salt Lake City a Park City e ao Vale de Heber, com compradores vindos de Nova York, Califórnia e Texas.
Parte da valorização antecipada se relaciona aos Jogos Olímpicos de Inverno de 2034, que podem elevar a demanda por locação, lembrando o efeito observado em 2002. Em Park City, onde operam Park City Mountain e Deer Valley Resort, a busca por imóveis se mantém forte mesmo com aumento de preços: no terceiro trimestre de 2025, mais de 60% das transações de imóveis de luxo foram pagas à vista.
Entre os empreendimentos em desenvolvimento está o Deer Valley East Village, orçado em cerca de US$ 2 bilhões e descrito como a primeira nova vila pública de esqui alpino na América do Norte em mais de 40 anos — projeto que dobrou a área esquiável de Deer Valley para mais de 1.740 hectares, adicionando dez teleféricos e quase 100 pistas. Marcas como Four Seasons e Waldorf Astoria têm projetos na região, ao lado de empreendimentos boutique como Velvaere, Marcella Landing e Sommét Blanc.
Nápoles e Pompano Beach, Flórida
Nápoles, no golfo da Flórida, evoluiu de refúgio de inverno para destino procurado por compradores de diversas regiões dos Estados Unidos. A cidade registrou vendas de alto valor em 2025, incluindo a negociação de cerca de seis hectares na Gordon Drive por US$ 225 milhões, recorde para o mercado residencial da Flórida.
O mercado local atrai atenção de grandes redes de hospitalidade: Four Seasons, Rosewood e Ritz-Carlton têm projetos anunciados, além de empreendimentos exclusivos como Olana e 3300 Gulf Shore. Em Pompano Beach, entre Fort Lauderdale e Boca Raton, novos lançamentos como W Pompano Beach Hotel and Residences e Waldorf Astoria Residences Pompano Beach visam oferecer uma alternativa com menor densidade urbana e sensação de refúgio, segundo o arquiteto Sohith Perera, fundador da Kora Architecture.
Imagem: Divulgação
Charleston, Carolina do Sul
Charleston aparece como destino em ascensão para segundas residências, de acordo com a National Association of Realtors. A cidade combina o estilo de vida costeiro do Lowcountry com arquitetura histórica preservada, gastronomia reconhecida, ruas caminháveis, acesso a praias e cena artística ativa. Compradores vindos de Nova York, Meio-Oeste, Texas e região das Montanhas Rochosas têm sido atraídos pelo charme local e por oportunidades ligadas a polos aeroespaciais e de manufatura avançada.
Leis de preservação mantêm a integridade de estilos arquitetônicos como georgiano, federal, neoclássico e vitoriano, o que tem levado compradores a remunerar mais por imóveis com caráter histórico: recentemente, uma propriedade de cerca de 225 anos foi vendida por US$ 21 milhões, marco recorde local.
Scottsdale, Arizona
Scottsdale consolida-se como opção popular para segundas residências de alto padrão, com cerca de 300 dias de sol por ano, clubes de golfe renomados, facilidade para aviação privada e oferta de bem-estar e gastronomia. A combinação de ausência de imposto sobre herança e sucessão no estado e baixos impostos sobre propriedade reforça o apelo do mercado.
O investimento de US$ 165 milhões da TSMC no norte de Phoenix, incluindo a área de Scottsdale, tem impulsionado a transformação da região em polo de semicondutores, gerando empregos bem remunerados e aquecendo a demanda por imóveis de luxo. Relatórios apontam que a população de milionários em Scottsdale cresceu 125% na última década, e as vendas de propriedades acima de US$ 10 milhões aumentaram 30% entre 2024 e 2025.
Projetos de ultraluxo avançam para atender compradores que buscam residências prontas, com serviços e comodidades, como Summit by Olson Kundig no Ascent at The Phoenician, Ritz-Carlton Residences em Paradise Valley e Icon at Silverleaf.
O movimento global de compra de segundas residências reflete uma mudança de comportamento: além de preferência por novas localidades, há uma transformação no uso dessas propriedades, que se tornaram parte integrante da vida cotidiana e das estratégias de investimento de compradores de alto poder aquisitivo.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6