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Um estudo genético recente mostra que uma população híbrida formada pelo cruzamento entre javalis selvagens e porcos domésticos vem se estabelecendo na região abandonada de Fukushima desde o desastre nuclear de 2011. A pesquisa aponta que esses animais dominam atualmente a zona de exclusão, aproveitando o afastamento humano para ocupar áreas agrícolas e urbanas desertas.

O que aconteceu e como surgiram os híbridos

Segundo o estudo publicado no EurekAlert, a retirada da população em 2011 deixou porcos domésticos em fazendas desativadas. Javalis selvagens, ao descerem das áreas montanhosas, cruzaram com os porcos remanescentes, resultando em reprodução sem barreiras e no surgimento de uma linhagem mista com características de ambas as espécies.

O que a análise genética revela

Os pesquisadores examinaram amostras de DNA de centenas de indivíduos e constataram que a carga genética predominante é de javali, embora haja marcadores claros de porcos comerciais. A combinação genética teria ampliado a capacidade desses animais de explorar diferentes fontes de alimento nas áreas rurais e urbanas abandonadas.

O trabalho indica também que a influência genética dos porcos domésticos vem sendo gradualmente reduzida pelas sucessivas gerações que se reproduzem com javalis puros. Ainda assim, o efeito inicial da hibridização foi decisivo para a rápida ocupação do território deixado vazio após o acidente.

Principais traços e comportamento

Entre as características identificadas pelos cientistas estão a presença de biomarcadores de linhagens de porcos de corte ocidentais, comportamento menos arisco em relação a estruturas humanas e capacidade de sobrevivência em áreas com níveis variados de radiação. A combinação da robustez típica do javali com a maior taxa reprodutiva associada ao componente doméstico contribuiu para o crescimento populacional observado.

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Impactos ecológicos e riscos

Pesquisadores alertam que a dominância desses híbridos pode pressionar flora e fauna locais, já que animais grandes e sem predadores naturais exercem forte impacto sobre os recursos. Autoridades japonesas monitoram a possibilidade de saída desses animais da zona de exclusão, devido ao risco de danos a plantações e à potencial transmissão de doenças para suínos de criação comercial.

O isolamento da área transformou a zona de exclusão em um ambiente onde a evolução genética ocorreu em ritmo acelerado, permitindo a consolidação dessa população híbrida que hoje é a principal ocupante do território afetado.

Com informações de Olhardigital