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A Tesla está em negociações para adquirir cerca de US$ 2,9 bilhões em equipamentos de fabricantes chineses destinados à produção de painéis e células solares nos Estados Unidos, segundo duas pessoas a par das tratativas. O movimento faz parte do plano de Elon Musk de ampliar em 100 gigawatts a capacidade solar norte-americana até o fim de 2028.

Fornecedores e autorização de exportação

Entre os prováveis fornecedores está a Suzhou Maxwell Technologies, apontada como a maior fabricante mundial de máquinas de serigrafia usadas na fabricação de células solares. Fontes afirmam que a empresa já busca aprovação do ministério do comércio da China para liberar a exportação dos equipamentos. Outras prováveis fornecedoras citadas nas negociações são Shenzhen S.C New Energy Technology e Laplace Renewable Energy Technology.

O conjunto de equipamentos negociado está estimado em 20 bilhões de yuans (US$ 2,9 bilhões) e inclui linhas de produção de serigrafia que, segundo três fontes, precisarão de autorização regulatória na China para serem enviadas ao exterior. As empresas chinesas teriam sido orientadas a preparar entregas para o segundo semestre deste ano.

Destino e uso da produção

De acordo com duas fontes, os equipamentos seriam enviados ao Texas, onde a Tesla pretende montar capacidade de produção solar majoritariamente para consumo próprio, com parte da energia também destinada a alimentar satélites da SpaceX.

Contexto do mercado e política comercial

O anúncio representa um impulso para fabricantes chineses de máquinas para a indústria solar, que enfrentam demanda doméstica fraca devido ao excesso de oferta. Após a circulação da notícia pela Reuters, as ações da Suzhou Maxwell, da S.C New Energy e da Laplace Renewable subiram mais de 7%.

O mercado solar dos EUA tem sido protegido por tarifas que visam reduzir a importação de painéis e células mais baratos da China e do Sudeste Asiático. No entanto, equipamentos de fabricação solar foram excluídos dessas tarifas pelo governo Biden em 2024, após pressão de produtores americanos, e a exceção foi mantida pela administração Trump.

Imagem: Divulgação

Musk criticou as barreiras tarifárias, afirmando que elevam artificialmente o custo da implantação solar em um momento de necessidade energética. Em janeiro, o executivo disse que a energia solar poderia suprir toda a demanda elétrica dos EUA, incluindo o aumento de consumo de centros de dados. Anúncios de vagas na Tesla confirmam a meta de “implementar 100 GW de manufatura solar a partir de matérias-primas em solo americano antes do final de 2028”.

Dependência e desafios

Apesar de esforços para ampliar a cadeia de fornecedores nos EUA, a Tesla ainda depende de cerca de 400 fornecedores baseados na China, sendo 60 deles fornecedores globais da empresa que atendem também suas fábricas americanas de veículos. Preparativos para a produção dos modelos Cybertruck e Semi nos Estados Unidos sofreram contratempos no ano passado, após suspensão de remessas de componentes da China depois de aumento de tarifas.

A Administração de Informações sobre Energia (EIA) informou que o consumo de energia dos EUA bateu o segundo recorde consecutivo em 2025 e deve continuar crescendo em 2026 e 2027, impulsionado principalmente por centros de dados de inteligência artificial e por atividades de manufatura. Em 2024, a capacidade total de geração elétrica dos EUA era de 1.300 GW, dos quais 135 GW, ou 10%, vinham da energia solar.

Relatos da mídia chinesa indicaram no mês passado que a Tesla visitou várias fabricantes solares na China. Os detalhes sobre quais empresas estão em negociações avançadas, o volume das compras, o cronograma de entrega e as exigências regulatórias foram revelados agora, segundo as fontes. Tesla, o ministério do comércio da China, Suzhou Maxwell, Shenzhen S.C New Energy e Laplace Renewable Energy não responderam a pedidos de comentário da Reuters.

Com informações de Olhardigital