O Minor Planet Center (MPC) anunciou a validação de 15 novos satélites naturais no entorno dos gigantes gasosos do Sistema Solar, elevando para 101 o número de luas conhecidas de Júpiter e para 285 as atribuídas a Saturno. A oficialização das descobertas foi divulgada na segunda-feira (16), após análises das órbitas desses corpos.

Quatro dos novos objetos orbitam Júpiter e 11 circundam Saturno. Todos são pequenas luas, com diâmetros da ordem de poucos quilômetros, classificadas como satélites irregulares — em geral localizados a grandes distâncias de seus planetas, em trajetórias inclinadas e elípticas. Vários mostram movimento retrógrado, ou seja, deslocam-se no sentido inverso à rotação do respectivo planeta, característica que sugere captura gravitacional em vez de formação conjunta com o planeta.

Observações ao longo dos anos

As confirmações envolvendo as luas jupiterianas incluem registros preservados por anos. Duas das quatro já haviam sido detectadas em 2011, mas só agora tiveram órbitas suficientemente bem determinadas. As demais foram observadas inicialmente em 2018 e em 2025. Para obter segurança sobre a ligação gravitacional desses objetos a Júpiter, foi necessário monitoramento continuado até que suas trajetórias ficassem bem estabelecidas.

O astrônomo amador Cristóvão Jacques, fundador do Observatório SONEAR em Oliveira (MG), ressalta que a validação depende de várias medições ao longo do tempo. Segundo ele, é preciso acompanhar o corpo por meses ou anos para calcular sua órbita com precisão e confirmar que ele não está apenas passando pela região.

No caso de Saturno, as 11 novas luas foram identificadas a partir de observações realizadas entre 2020 e 2023. Assim como as recém-validadas ao redor de Júpiter, elas apresentam as propriedades típicas de satélites irregulares, informação que contribui para estudos sobre os processos de captura e a evolução do sistema saturniano.

Designações e órbitas

Por enquanto, os corpos não receberam nomes e são referenciados por códigos do tipo S/ano Letra Número. Entre eles está S/2011 J 4, de Júpiter, que orbita a cerca de 11,1 milhões de quilômetros do planeta e completa uma volta em aproximadamente 240 dias. Em Saturno, a recém-catalogada S/2020 S 45 encontra-se a cerca de 24,2 milhões de quilômetros do planeta e leva quase quatro anos para concluir sua órbita, movendo-se em sentido retrógrado.

Imagem: Imagem gerada por IA/Gemini

O MPC atua em nome da União Astronômica Internacional (IAU) e divulga essas confirmações por meio de comunicados técnicos conhecidos como MPECs, nos quais constam os detalhes das descobertas.

As atualizações reforçam a complexidade dos sistemas de satélites dos gigantes gasosos e ampliam o inventário de corpos naturais do Sistema Solar.

Com informações de Olhardigital