Mercado fonográfico brasileiro cresce 14,1% em 2025 e enfrenta desafios com fraudes e uso de IA

O relatório anual da Pró-Música Brasil Produtores Fonográficos Associados, divulgado esta semana com dados referentes a 2025, confirma a continuidade do crescimento do mercado fonográfico no país. A entidade, que reúne as principais gravadoras e produtoras musicais brasileiras, aponta avanço significativo na receita do setor.

Dados do ano e posição global

Em 2025, a indústria fonográfica do Brasil atingiu faturamento total de R$ 3,958 bilhões, o que representa um crescimento de 14,1% em relação a 2024. Esse desempenho fez o país subir uma posição no ranking mundial do mercado fonográfico, passando do nono para o oitavo lugar.

Domínio do streaming

O relatório atribui o crescimento, em grande parte, ao domínio das plataformas de streaming. Segundo os números apresentados, o streaming concentrou 87% do faturamento do mercado musical brasileiro em 2025, confirmando sua posição como principal fonte de receita do setor.

Quem se beneficia do crescimento?

Os dados positivos sobre a expansão do mercado digital levantam questões importantes sobre a distribuição desses ganhos. A Pró-Música Brasil destaca o debate sobre quem realmente lucra com o crescimento: se as receitas chegam de forma justa aos autores e intérpretes ou se favorecem mais as gravadoras e as plataformas de reprodução. A entidade aponta que somente os próprios artistas podem avaliar se se beneficiam proporcionalmente desse cenário.

Riscos ligados à inteligência artificial

Um ponto central do relatório é a preocupação com a interferência de tecnologias de inteligência artificial na criação e na manipulação de conteúdo musical sem o respectivo pagamento de direitos autorais. A Pró-Música Brasil tem enfatizado a necessidade de proteger criadores e produtores contra usos indevidos de IA que possam gerar fraudes ou desviar receitas.

Paulo Rosa, presidente da Pró-Música Brasil, alertou para a importância de medidas que garantam a proteção dos direitos de quem produz bens culturais diante do avanço da IA generativa. Ele assinalou que operações fraudulentas praticadas por agentes externos às plataformas podem distorcer os pagamentos de direitos, prejudicando autores, artistas e produtores legítimos e beneficiando um mercado paralelo de streaming.

Medidas judiciais e combate a práticas danosas

O relatório também registra uma ação concreta em 2025: por decisão judicial, foi bloqueada no Brasil a maior plataforma internacional voltada à venda de serviços de manipulação artificial — como aquisição de curtidas, seguidores e reproduções — aplicada ao ambiente musical. A Pró-Música Brasil considera essa decisão um avanço relevante no enfrentamento de práticas que prejudicam o mercado fonográfico digital.

Para a entidade, a defesa dos direitos autorais e a integridade das métricas de consumo são fundamentais para garantir que a expansão do setor beneficie de forma equitativa os criadores e produtores reais. O documento reforça a necessidade de aproximação entre artistas e gravadoras para combater abusos, fraudes e manipulações que possam decorrer do uso indevido de tecnologias.

O relatório divulgado esta semana confirma, portanto, um panorama de crescimento econômico para o mercado fonográfico brasileiro em 2025, ao mesmo tempo em que chama atenção para desafios regulatórios e de fiscalização que precisam ser enfrentados para preservar os direitos dos protagonistas da música.