Pesquisadores divulgaram evidências de que plantas podem registrar a frequência de estímulos e antecipar ocorrências futuras, sem necessidade de sistema nervoso central. O trabalho, publicado em um artigo disponível na onlinelibrary, investigou como mecanismos bioquímicos em vegetais permitem aprender padrões ambientais e ajustar respostas fisiológicas conforme a previsibilidade dos sinais.

Quem, o que e onde

O estudo analisou a Mimosa pudica, conhecida como dormideira, e constatou que a espécie não apenas reage ao toque de forma imediata, como também conserva informações temporais sobre a sequência de estímulos. A pesquisa foi divulgada na plataforma onlinelibrary (link do estudo: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/cogs.70161).

Como funciona o processo

Segundo os autores, cada toque gera alterações químicas que envolvem, entre outros sinais, o fluxo de íons de cálcio pelas membranas celulares. Esses sinais formariam uma espécie de registro temporal, permitindo que a planta “conte” eventos e ajuste sua fisiologia antes do próximo estímulo previsto. Os pesquisadores apontam que esse tipo de memória temporal também pode levar a mudanças como a abertura de estômatos antecipada à chegada de luz.

Metodologia e resultados

Nos experimentos, os cientistas aplicaram estímulos táteis em intervalos regulares e acompanharam a resposta foliar da Mimosa pudica. Observou-se habituação: quando os toques foram repetidos em ritmo previsível e considerados inofensivos, as plantas reduziram reações defensivas. Além disso, o armazenamento de informações temporais permaneceu registrado por dias, segundo os pesquisadores.

Os resultados destacaram ainda a capacidade de distinguir entre contatos potencialmente perigosos e neutros, bem como a adaptação metabólica baseada em eventos anteriores. Entre as observações registradas estão:

Imagem: Divulgação

  • capacidade de identificar diferentes tipos de toques;
  • retenção de informações temporais por vários dias;
  • ajustes no gasto energético conforme padrão de eventos;
  • respostas que economizam água e nutrientes.

Implicações

Os autores afirmam que a constatação de previsão por parte de plantas amplia a visão sobre comportamento vegetal e pode influenciar abordagens agrícolas. Compreender os mecanismos de memória e antecipação poderia orientar o desenvolvimento de práticas e tecnologias que interajam com plantas por meio de estímulos programados, visando maior resiliência em períodos de variação climática.

O uso da Mimosa pudica se deve à rapidez e visibilidade de sua resposta motora, o que facilita a coleta de dados em tempo real. Os pesquisadores indicam que os achados podem servir de base para estudos em espécies de maior porte e em cultivos agrícolas.

Com informações de Olhardigital