Pesquisadores identificaram o ácido tartárico, composto presente em uvas, como um agente promissor para a reciclagem de metais de baterias, segundo estudo publicado na Science Advances. A descoberta aponta para uma alternativa mais ambientalmente amigável aos reagentes químicos agressivos atualmente usados na extração de metais como lítio e cobalto a partir de células usadas.
O que foi feito e como funciona
O trabalho demonstra que ácidos orgânicos naturais podem substituir ácidos minerais fortes no processo de lixiviação. O mecanismo químico destacado é a quelação: o ácido tartárico forma complexos estáveis com íons metálicos, permitindo a separação seletiva dos metais do resíduo sólido das baterias. O método requer temperaturas moderadas e consome menos energia que processos industriais convencionais.
Fluxo operacional
Os pesquisadores descrevem um fluxo de recuperação que aproveita subprodutos da vinificação para obter o ácido tartárico. Em seguida, aplica-se uma “lixiviação verde” em que os metais dissolvem-se na solução ácida de forma controlada. Por fim, os metais como lítio e cobalto são filtrados e recuperados em forma pura para reuso.
Quais materiais são recuperáveis
A técnica mostrou-se eficaz na recuperação de metais críticos empregados em baterias, com foco em cobalto, níquel, manganês e lítio. Em testes laboratoriais, o lítio foi recuperado com taxas de eficiência superiores a 90% em diversos cenários avaliados.
Por que isso importa
Atualmente, a reciclagem de baterias de íon-lítio depende majoritariamente de processos pirometalúrgicos, que exigem altas temperaturas e consomem muita energia, e de hidrometalurgia com ácidos minerais corrosivos que geram resíduos líquidos tóxicos. Entre os problemas listados na pesquisa estão o elevado gasto energético em fornos de fundição, a emissão de subprodutos perigosos, a dependência de químicos corrosivos e taxas de pureza insatisfatórias em alguns métodos rápidos de recuperação.
Imagem: Divulgação
O uso do ácido tartárico, por ser biodegradável e abundante, oferece impacto ambiental bastante reduzido e eficiência elevada, segundo os autores. A aplicação dessa rota poderia reduzir custos e riscos químicos e, no longo prazo, contribuir para diminuir o custo de produção de veículos elétricos e eletrônicos, além de reduzir a dependência de fontes primárias de matérias-primas.
O estudo abre caminho para aproveitar subprodutos da indústria alimentícia na cadeia de reciclagem de baterias, sem alterar os números e resultados divulgados pelos pesquisadores.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6