A Estée Lauder informou que está em conversações para adquirir a Puig Brands, em um possível acordo que resultaria em um grupo de cosméticos com vendas anuais aproximadas de US$ 20 bilhões.
As companhias não revelaram os termos da operação. A Puig, sediada na Espanha, tem valor de mercado estimado em cerca de €10 bilhões (US$ 11,6 bilhões).
Uma eventual compra ampliaria o portfólio da Estée Lauder com marcas de perfume e moda reconhecidas, como Rabanne, Jean Paul Gaultier e Carolina Herrera, e poderia fortalecer sua posição frente à líder global L’Oréal SA.
A Puig registrou vendas próximas de €5 bilhões (US$ 5,8 bilhões) no ano passado. A movimentação ocorre após desaceleração do crescimento e revisões para baixo nas projeções de lucros da espanhola, fatores que pressionaram suas ações desde a oferta pública inicial (IPO) realizada em 2024.
Em Madri, os papéis da Puig chegaram a subir até 17% na última terça-feira, marcando a maior alta histórica da empresa. Já as ações da Estée Lauder recuaram 7,7% no fechamento da segunda-feira em Nova York.
Analistas do Barclays, liderados por Lauren R. Lieberman, afirmaram que a aquisição “desviaria a Estée Lauder de seu curso”, argumentando que a Puig, com sede em Barcelona, não se encaixa na reorganização planejada pela norte-americana, incluindo foco em fragrâncias de luxo e nicho — segmento que corresponde a cerca de 15% do portfólio da Puig.
Recentemente a Puig passou por mudanças executivas: Marc Puig deixou o cargo de CEO e permaneceu como presidente executivo, com atenção às operações de fusões e aquisições. A companhia continua controlada pela terceira geração da família fundadora.
Imagem: Bloomberg
Riscos de integração
Especialistas citam riscos na integração de marcas. A Estée Lauder já reúne aproximadamente duas dezenas de marcas, entre elas La Mer e The Ordinary. A inclusão das marcas da Puig, que também possui nomes como Byredo e Charlotte Tilbury, pode aumentar a complexidade operacional quando a empresa tenta simplificar seu portfólio.
A exposição da Puig a fragrâncias — que representam mais de dois terços da receita — tem sido motivo de preocupação dos investidores. No fechamento de segunda-feira, as ações da Puig estavam 37% abaixo do preço da IPO. A analista do JPMorgan, Céline Pannuti, afirmou estar “surpresa que a família Puig abra mão da independência e do controle majoritário”, e sugeriu que outros interessados do setor possam surgir.
Regis Bégué, sócio da Zadig Asset Management, que detém cerca de 1% da Puig, atribuiu parte dos problemas da empresa à dificuldade de comunicar sucessos em um mercado europeu ainda afetado. Segundo ele, uma combinação com a Estée Lauder “seria um passo na direção que a empresa já vinha tomando”, possibilitando participação acionária e, ao longo do tempo, facilitar a transição de controle familiar.
O potencial acordo também seria uma tentativa de a Estée Lauder disputar mais diretamente a L’Oréal, que avançou rapidamente no segmento de produtos dermatológicos no período pós-pandemia. Informações sobre a negociação foram publicadas pelo Financial Times na segunda-feira.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6