26 Mar — A varejista sueca H&M afirmou nesta quinta-feira que uma guerra prolongada no Oriente Médio, incluindo o conflito com o Irã, pode ter um “impacto significativo” sobre os gastos do consumidor, complicando seus esforços para recuperar participação frente à rival Zara e às marcas chinesas de baixo custo.

As ações do grupo chegaram a cair 6,6% depois que vendas fracas em março ofuscaram um aumento de 26% no lucro operacional entre dezembro e fevereiro, para US$ 162 milhões. O resultado superou a previsão média de analistas consultados pela LSEG, reflexo de um rígido controle de custos adotado pela empresa.

Segundo a H&M, a alta dos preços da energia desde o início da guerra com o Irã elevou as preocupações com a inflação e arrefeceu a demanda, o que pode pressionar varejistas caso o conflito se estenda. O presidente-executivo Daniel Erver afirmou que a empresa ainda não observou impacto na demanda geral até o momento, mas advertiu sobre riscos caso a crise persista.

“Um conflito contínuo, como a manutenção dos altos preços da energia, criará pressão inflacionária sobre um consumidor que já enfrenta forte pressão inflacionária”, disse Erver em entrevista à Reuters.

A H&M também avaliou que um conflito prolongado poderia gerar custos adicionais “ligeiramente” superiores. A rival britânica Next comentou na quinta-feira que a guerra provavelmente reduziria a demanda ao mesmo tempo em que elevaria custos e preços de venda.

Com uma base de clientes considerada mais sensível ao preço do que a da Zara, a H&M enfrenta dificuldades para reverter a queda nas vendas, pressionada por varejistas online ultrabaratos como Shein e pela própria Zara, que dominam o segmento mais valorizado da moda rápida.

Apesar das vendas fracas, a empresa apresentou crescimento de lucros pelo terceiro trimestre consecutivo. Erver destacou que as coleções de primavera foram bem recebidas e contribuíram para uma tendência positiva de vendas que se manteve em março.

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As vendas medidas em moedas locais recuaram 1%, enquanto a H&M previa um aumento de 1% para março — um avanço considerado “um tanto decepcionante” por Jie Zhang, analista da Alphavalue.

Erver afirmou que o impacto direto da guerra na H&M tem sido limitado pela baixa exposição de vendas na região do Oriente Médio, onde lojas são operadas por franqueados. Além disso, a empresa transporta a maior parte de sua mercadoria por via marítima e terrestre, reduzindo efeitos de eventuais fechamentos de espaço aéreo.

O analista da Inderes, Lucas Mattsson, disse ser cedo para estimar os efeitos potenciais, mantendo-se cauteloso: “Não esperamos um crescimento particularmente forte nas vendas em 2026, precisamente porque ainda não demonstraram tendências ou padrões claros nesse sentido”.

Com informações de Infomoney