A Embrapa desembarcou na Etiópia para estruturar a sua primeira Unidade de Referência Tecnológica Internacional (URTI), com missão técnica que ficará no país entre sábado (28) e domingo (5). A iniciativa, conduzida por pesquisadores da unidade Gado de Corte de Campo Grande (MS), marca a ampliação da atuação internacional da instituição e reforça a estratégia de cooperação Sul-Sul.

A ação tem como objetivo principal adaptar e validar tecnologias brasileiras ao contexto produtivo do Leste Africano, uma região caracterizada por forte dependência do clima, predominância de pequenas propriedades e sistemas agropecuários multifuncionais, onde o rebanho também exerce funções como tração e geração de renda complementar.

Plano de trabalho e parcerias

A missão concentra-se na elaboração de um plano de trabalho para a implantação da URTI em parceria com o grupo etíope Kerchanshe. Entre as atividades previstas estão reuniões institucionais, visitas a unidades produtivas e a realização do encontro “Brazilian Technology Reference Farm – 1st Working Meeting”, em Adis Abeba, que deverá reunir cerca de 40 organizações.

Participam da iniciativa instituições multilaterais como o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento, além de centros de pesquisa e universidades locais, incluindo o Ethiopian Institute of Agricultural Research. O arranjo pretende combinar pesquisa, financiamento e execução em campo para reduzir riscos operacionais e acelerar a adoção de tecnologias em regiões com infraestrutura limitada.

Base experimental e foco técnico

Como base experimental será usada a Oro Meat Farm, onde serão testadas práticas para intensificação sustentável da pecuária. O escopo técnico abrange melhoramento genético, biotecnologias reprodutivas, nutrição animal e protocolos de bem-estar, bem como a implementação de sistemas integrados, como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e medidas para retenção hídrica.

A escolha dessas frentes responde às condições locais, sobretudo em áreas como o Rift Valley etíope, em que a produtividade depende da eficiência no uso de recursos naturais, em especial água e solo. Tecnologias de baixo carbono e sistemas integrados são tratadas não apenas como agenda ambiental, mas também como instrumentos de ganho de eficiência econômica.

Imagem: Divulgação/Apex Brasil

Aspecto comercial e diplomacia econômica

Além do componente técnico, a URTI funciona como vitrine tecnológica e pode facilitar a entrada de empresas brasileiras nos mercados africanos nos segmentos de genética, insumos e máquinas. A iniciativa integra a estratégia da Embrapa de ampliar sua presença em regiões tropicais e ganhar protagonismo em agendas globais; um marco esperado é a apresentação dos resultados na COP-32, prevista para ocorrer na Etiópia no próximo ano.

Ao priorizar a adaptação conjunta de tecnologias, a Embrapa busca transformar conhecimento tropical brasileiro em modelo replicável, ajustado às realidades locais, em vez de simplesmente exportar soluções prontas.

Com informações de Forbes