A cantora Amabbi, titular Abramus, lançou em março o álbum Crisálida, trabalho que reafirma sua busca por identidade artística e marca uma nova etapa na carreira iniciada pelo EP de estreia Amabbi e pelo álbum Versos e Voos (2024).

O que é Crisálida

Segundo a artista, Crisálida não é apenas uma mudança sonora, mas um registro de amadurecimento: o título representa um momento de transição, um “meio” entre casulo e voo. Amabbi afirma não se considerar ainda uma “butterfly” completa e ressalta que o disco expressa maior clareza e confiança em sua trajetória.

Temas e processo criativo

Para compor o álbum, Amabbi pesquisou aspectos da psique e da vivência feminina, usando como referência podcasts como Bom Dia, Obvious e Gostosas Também Choram. A intenção foi captar situações cotidianas e reais, especialmente aquilo que aparece quando “a luz se apaga” e a vida cotidiana reaparece.

Essa linha de realismo aparece em faixas como Mili, Mili, na qual a cantora incorpora gírias como “miliano” e “milicota” em homenagem a mulheres que sustentam a cultura e a base da sociedade sem receber reconhecimento. Amabbi resume a função do trabalho afirmando que “a música é um posicionamento, ela é o casco da crisálida”.

Outra canção do disco, Deu Fuga, traz um relato familiar: a artista transforma em letra a traição sofrida pela mãe, descrevendo rituais domésticos como o “chá das 10” e a ruptura causada pela ausência. Ao expor essa experiência, Amabbi busca, na própria narrativa, um caminho para lidar com o trauma e reivindicar respeito ao tempo pessoal.

Imagem: Divulgação

Colaborações e produção

Crisálida também é marcado por encontros. No âmbito feminino, Amabbi trabalhou com Cynthia Luz, Elana Dara, Clara Lima, Day Limms, Freeda e Clau, reforçando uma estética que une rap e R&B e valoriza a autonomia das mulheres na criação. Em termos de produção e vozes masculinas, participaram YOÙN, Manocchio, GvsnoBeat, DMAX, Modestto e o coletivo Los Brasileros, contribuindo para a sonoridade urbana e contemporânea do álbum.

Fotografia do material visual ficou a cargo de Victor Correa; a imagem foi cedida pela artista e a arte é assinada por Júlia Sousa. O lançamento consolida a presença de Amabbi no cenário musical atual e evidencia sua prioridade por substância e coerência artística.

Com informações de Abramus.org