O rapper Mano Brown lançou, na última quinta-feira (13), o livro “Mano a Mano”, publicação que leva para o papel trechos de 20 entrevistas realizadas em seu podcast homônimo. Editada pela Companhia das Letras em parceria com o Spotify, a obra amplia debates iniciados no programa e reforça a leitura como ferramenta de transformação social.

Durante o evento de lançamento, o artista explicou que o projeto do podcast nasceu de um impulso simples: “Eu queria me sentir útil”. Segundo ele, as conversas gravadas abriram espaço para apresentar lados pouco conhecidos de sua trajetória. “Antes do Mano a Mano, poucos realmente me conheciam”, disse.

Participação fundamental de Semayat Oliveira

Mano Brown fez questão de ressaltar a contribuição da jornalista Semayat Oliveira, responsável pela elaboração de pautas, condução das entrevistas e direção editorial do programa. “A Semayat é a régua do programa”, afirmou, sinalizando que a curadoria da comunicadora foi decisiva para o conteúdo ganhar profundidade e diversidade de vozes.

Do estúdio à livraria

A ideia de transformar as entrevistas em livro não estava no planejamento inicial. Mano Brown contou que a proposta surgiu de maneira espontânea, a partir de conversas informais sobre a repercussão dos episódios. Ele revelou ter tratado cada declaração com atenção redobrada. “No rap eu até brinco; no Mano a Mano não”, declarou, ao explicar que as palavras ganharam peso diferente no formato de entrevista.

Essa preocupação também aparece em uma das sentenças que abrem o livro: “O microfone pode ser uma arma contra você mesmo”. O rapper contou que, ao longo da carreira, já se sentiu exposto por declarações próprias, reforçando a necessidade de cautela em cada fala pública.

Leitura como caminho de mudança

Apesar de admitir não se considerar um leitor assíduo, Mano Brown destacou a importância dos livros para a formação crítica, principalmente nas periferias. Ele afirmou que “devia ter lido muito mais”, mas apontou que a falta de tempo e as urgências do cotidiano dificultam o hábito na quebrada. Ainda assim, defendeu que a relação com a leitura precisa ser fortalecida e citou a autobiografia de Malcolm X como “o livro da sua vida”.

Imagem: Divulgação

Com pouco mais de 250 páginas, “Mano a Mano” busca registrar, em formato impresso, conversas que abordam temas como racismo, política, cultura popular e juventude. Assim como no podcast, a proposta é criar pontes de diálogo e garantir que vozes da periferia sejam ouvidas em diferentes espaços.

O livro já está disponível nas principais livrarias e na loja virtual da Companhia das Letras.

Com informações de Sobrefunk