O mercado de medicamentos para perda de peso vive fase de rápido crescimento, com empresas farmacêuticas e de biotecnologia disputando fatias de um setor hoje dominado pela Novo Nordisk e pela Eli Lilly. Analistas estimam que o segmento poderá gerar cerca de US$ 150 bilhões em vendas anuais na próxima década.
Na quarta-feira, a Eli Lilly se tornou a segunda empresa a obter aprovação nos Estados Unidos para um comprimido de emagrecimento, em um movimento que coloca foco em terapias orais mais convenientes. A Novo Nordisk, por sua vez, ganhou vantagem de pioneirismo quando a FDA aprovou, em dezembro, a versão oral do seu injetável Wegovy.
Novo Nordisk
A companhia tem outros candidatos em desenvolvimento, incluindo a injeção de próxima geração amycretin e o CagriSema, apontado como potencial sucessor do Wegovy. A amycretina, que atua sobre GLP-1 e amilina, mostrou redução de peso estatisticamente significativa de até 14,5% em 36 semanas em pacientes com diabetes tipo 2, em estudo de fase intermediária.
O CagriSema apresentou resultados aquém do esperado em dois ensaios de fase final; em um deles, a perda média foi de 22,7%, abaixo da meta de 25% estabelecida pela empresa. Em dezembro, a Novo protocolou um pedido de autorização de comercialização do CagriSema nos EUA. A empresa também assinou acordos de licenciamento em estágios iniciais, inclusive um acordo avaliado em até US$ 2 bilhões com a United Laboratories, da China, para um candidato “triple-G”.
Pfizer
Por meio de aquisição, a Pfizer obteve acesso aos programas da Metsera, incluindo o MET-097i, um GLP-1 projetado para injeção mensal, e o MET-233i, que imita a amilina. Em setembro, o MET-097i mostrou perda média de 14,1% após 28 semanas em estudos de fase intermediária; a Metsera planeja iniciar estudos de fase final ainda este ano e explorar versões orais.
A Pfizer interrompeu anteriormente o desenvolvimento de dois candidatos orais — lotiglipron, em 2023, e danuglipron, em 2025 — por preocupações com segurança hepática. Em dezembro, a empresa firmou acordo de licenciamento exclusivo com a YaoPharma, subsidiária da Shanghai Fosun, para desenvolver e comercializar um tratamento experimental para controle de peso.
Eli Lilly
O orforglipron, comercializado como Foundayo, tornou-se o segundo comprimido oral para perda de peso aprovado nos EUA. A Lilly também avança com o eloralintide, um tratamento semanal à base de amilina, que entrou em testes de fase final em dezembro após estudos de fase intermediária mostrarem perdas de até 20,1%.
Em agosto, a farmacêutica informou que o orforglipron ajudou adultos com sobrepeso e diabetes tipo 2 a perderem 10,5% do peso corporal na dose de 36 mg ao longo de 72 semanas, em estudo de fase final. Em dezembro, um ensaio de fase final indicou que a retatrutida proporcionou perda média de 28,7% do peso, superando o Zepbound.
A Lilly também firmou acordos estratégicos: com a Laekna para desenvolver um fármaco que preserve massa muscular e, em agosto, um acordo de até US$ 1,3 bilhão com a Superluminal Medicines para descobrir e desenvolver pequenas moléculas por meio de inteligência artificial.
Imagem: Divulgação
Outras empresas
A Roche avançou com o CT-388, adquirido da Carmot Therapeutics, para fase final em setembro, e em março do ano passado comprou direitos do petrelintida, da Zealand Pharma, em acordo que pode chegar a US$ 5,3 bilhões.
A Amgen reportou que o MariTide ajudou pacientes a perderem até 20% do peso corporal em estudo de fase intermediária de um ano e espera dados de dois importantes estudos de fase intermediária antes do fim deste ano. Analistas avaliam que o benefício ficou em linha com Wegovy e Zepbound, embora com mais efeitos colaterais.
A Merck assinou em 2024 um acordo de licenciamento de até US$ 2 bilhões para o HS-10535, um agonista oral do receptor GLP-1 da Hansoh Pharma. A Viking Therapeutics, em agosto, divulgou que seu oral VK2735 levou a perda média de 12,2% após 13 semanas em estudo de fase intermediária com 280 adultos, abaixo da expectativa de 15% do mercado.
Em junho, a Scholar Rock afirmou que a combinação do apitegromab com o Zepbound ajudou a preservar mais massa magra: pacientes que receberam a combinação perderam 3,4 libras de massa magra em 24 semanas, ante 7,6 libras no grupo que recebeu apenas tirzepatida. A Structure Therapeutics, em dezembro, informou que seu comprimido oral aleniglipron reduziu 11,3% do peso corporal com a dose de 120 mg após 36 semanas; doses maiores alcançaram até 15,3% em 36 semanas, e a empresa pretende avançar para fase final em meados de 2026 após reunião com a FDA no primeiro semestre do próximo ano.
O setor segue em expansão com múltiplas frentes — injetáveis de nova geração, combinações hormonais e versões orais — enquanto empresas buscam consolidar posições em um mercado estimado em dezenas de bilhões de dólares anuais.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6