A Aegea passou a ser monitorada com atenção pelo mercado após adiar a divulgação de seu balanço do quarto trimestre e sofrer cortes na nota de crédito pela S&P Global e pela Fitch. Esses acontecimentos aumentaram a apreensão entre credores e gestores que detêm títulos de dívida da companhia.
Os papéis da empresa já refletiram o aumento do risco no mercado secundário. A debênture AEGP17, vencendo em abril de 2027 e emitida em abril de 2021 com remuneração de DI + 2,15% ao ano, foi negociada na quinta-feira (2) a uma taxa indicativa de 2,5436%. O avanço na taxa representa, na prática, queda no preço do título, já que investidores exigem maior retorno diante da maior percepção de risco.
Outra debênture, a AEGP19, lançada em outubro de 2021 com vencimento em outubro de 2028 e remuneração definida em DI + 1,90%, passou a ser negociada a DI + 3,6377%, com o preço recuando de R$ 1.079 para R$ 1.057.
Um gestor de um grande fundo, que preferiu não se identificar, afirmou que há negociações em mesas de operação por taxas ainda superiores, como CDI + 5%, embora esses níveis não tenham se tornado referência ampla. Mesmo com taxas mais altas que, teoricamente, poderiam atrair compradores, a baixa demanda dificulta a realização de vendas nesses patamares.
Os bonds emitidos no exterior também sentiram o impacto. Antes do episódio, eram cotados em torno de 90% do valor de face; chegaram a ser negociados a 73% e, mais recentemente, estabilizaram-se perto de 80% do valor de face.
O que está acontecendo?
Em 30 de março, a Aegea comunicou que precisava postergar a divulgação de suas demonstrações financeiras devido a “ajustes de práticas contábeis” e “reavaliação de estimativas”. A companhia afirmou que as correções se relacionam à gestão da carteira de clientes e têm efeitos não só no balanço de 2025, mas também em períodos anteriores, o que exigirá a reapresentação das demonstrações de 2024.
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A empresa declarou que os ajustes têm “natureza meramente contábil”, não afetam a geração de caixa operacional nem a posição de liquidez e não acarretam descumprimento de covenants. Os covenants são regras estabelecidas na emissão da dívida que a empresa deve observar ao longo do tempo para proteger investidores, impondo limites em indicadores financeiros e prevendo penalidades em caso de violação.
Fitch e S&P apontaram piora na avaliação de crédito da Aegea, citando preocupações com governança, transparência e qualidade das informações financeiras após o atraso no balanço. As agências afirmam que esses eventos aumentam a incerteza sobre indicadores de crédito já pressionados, levantam dúvidas sobre a consistência dos números reportados e indicam possíveis fragilidades na gestão, nos controles de risco e na cultura de informações ao mercado. Também mencionam riscos quanto ao acesso a financiamento, à flexibilidade financeira e à eventual aceleração de dívidas em caso de descumprimento de prazos, sustentando perspectiva negativa e risco de novos rebaixamentos.
O mercado segue atento às próximas manifestações da companhia e à repercussão das correções contábeis sobre os demonstrativos já divulgados.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6