A Broadcom anunciou na segunda-feira, 6 de abril de 2026, a ampliação de seus contratos para produção de chips destinados a aplicações de inteligência artificial com o Google e a Anthropic. Pelo novo acordo com a Anthropic — criadora do chatbot Claude — a empresa terá acesso a cerca de 3,5 gigawatts de capacidade de computação, usando os processadores de IA desenvolvidos pelo Google.

A informação foi divulgada em documento encaminhado a órgãos reguladores e evidencia o aumento da demanda por infraestrutura capaz de rodar modelos de IA generativa. Após o anúncio, as ações da Broadcom registraram alta de 3% nas negociações pós-fechamento do mercado.

O papel da Broadcom na fabricação das TPUs do Google

Ao contrário da Nvidia, líder no segmento de GPUs, a Broadcom tem concentrado esforços em auxiliar grandes empresas a criar silício personalizado. A companhia participa da fabricação das TPUs (Unidades de Processamento Tensor), os processadores projetados pelo Google para cargas de trabalho de IA.

Segundo Hock Tan, CEO da Broadcom, a parceria com a Anthropic já apresentou resultados no início de 2026, com a entrega de 1 gigawatt de capacidade de processamento. Para 2027, a expectativa é que a demanda ligada a esse acordo ultrapasse 3 gigawatts.

O documento oficial não detalha valores financeiros do contrato, mas analistas do banco Mizuho estimam receitas significativas para a Broadcom decorrentes dessa parceria: cerca de US$ 21 bilhões em 2026 e US$ 42 bilhões em 2027.

Redução da dependência da Nvidia

O movimento de Google e Anthropic integra uma estratégia mais ampla do setor para diminuir a dependência das GPUs da Nvidia. Hoje, muitos desenvolvedores de grandes modelos de linguagem recorrem às GPUs da Nvidia via provedores de nuvem como Amazon, Microsoft e o próprio Google.

Imagem: Divulgação

Nesse contexto, a Broadcom vem se consolidando como parceira-chave para o desenvolvimento de chips customizados. Além da colaboração com Google e Anthropic, a empresa também trabalha com a OpenAI no desenvolvimento de silício próprio.

De acordo com reportagem da CNBC, a OpenAI também firmou um compromisso para utilização de 6 gigawatts de GPUs da AMD, com a primeira etapa desse fornecimento prevista para entrar em operação no segundo semestre de 2026.

Os acordos refletem a corrida por maior capacidade de processamento para sustentar a expansão de aplicações de IA generativa e a diversificação das fontes de hardware no setor.

Com informações de Olhardigital