A healthtech Memed alcançou o breakeven depois de mais de uma década de operação e passou a operar com lucro ao transformar sua plataforma em um canal seguro para a indústria farmacêutica se comunicar com médicos. A estratégia permitiu à empresa deixar de queimar caixa sem repassar custos a médicos, pacientes ou farmácias, segundo a direção da companhia.
Como aconteceu
Fundada por médicos há 15 anos — pelos irmãos Ricardo e Rafael Moraes e por Marcel Ribeiro — a Memed nasceu com o objetivo de digitalizar a prescrição médica e ofereceu sua plataforma gratuitamente a médicos, pacientes e farmácias. A abordagem seguiu a lógica de priorizar a construção de valor antes da monetização, o que acarretou anos de investimento e perda de caixa.
Em 2021, a DNA Capital assumiu o controle da empresa, substituindo investidores como Redpoint, Monashees e Qualcomm Ventures. Em janeiro de 2023, a companhia realizou um corte de aproximadamente 11% do quadro, descrito internamente como uma medida preventiva diante do cenário macroeconômico e de pressão por redução de custos. Após uma reestruturação realizada no começo de 2023, a Memed trouxe Rodolfo Chung como CEO em junho, com a missão de tornar o negócio sustentável.
Monetização e diferencial
O principal caminho para receita identificado pela gestão foi o diálogo entre indústria farmacêutica e médicos. A plataforma da Memed exige login com certificado digital, o que garante a verificação de que o usuário é médico — característica valorizada pelas farmacêuticas, que antes dependiam de visitas presenciais de propagandistas. “A indústria farmacêutica era grande em tamanho, mas tinha uma dor óbvia: gastava muito dinheiro com propaganda médica, o que era feito pessoalmente, com os propagandistas, de forma pouco eficiente”, afirmou Rodolfo Chung.
Hoje a Memed declara ter mais de 150 mil profissionais cadastrados; o CEO estima haver cerca de 500 mil médicos no Brasil, indicando potencial de ampliação da base. A empresa passa a gerar receita por meio de formatos como banners e retail media direcionados às farmacêuticas, mantendo o uso gratuito para médicos, pacientes e farmácias.
Resultados e metas
Em junho de 2025 a Memed atingiu o breakeven e, desde então, opera com lucro. A companhia projeta encerrar 2026 com R$ 100 milhões em receita. Segundo a direção, apenas 15% das prescrições no Brasil são feitas digitalmente, contra participação maior em outros mercados; Chung citou que nos EUA 25% da verba de promoção médica é digital, enquanto no Brasil esse percentual estaria em torno de 1%.
Imagem: Divulgação
Para escalar, a meta é dobrar a base de médicos para 300 mil até 2029 e ampliar funcionalidades da plataforma, incluindo ferramentas de acompanhamento do tratamento — foco em melhorar a adesão, visto que 55% dos pacientes com problemas crônicos não seguem corretamente as terapias. Com o breakeven alcançado, a empresa pretende reinvestir os lucros: o CEO afirma ter acordo com investidores para priorizar crescimento em vez de distribuição de dividendos, com objetivo de dobrar faturamento, equipe e número de prescrições em um ano.
Rodolfo Chung afirmou ainda que a empresa mira se tornar unicórnio em um prazo de quatro a cinco anos e mantém a possibilidade de um IPO no futuro. Em tom descontraído, comparou a trajetória a um jogo: “Saímos do lava world, de queima de caixa, enfrentamos o chefão do breakeven. Agora passamos para desafios maiores.”
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6