O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou que investidores de portfólio — como fundos de hedge, fundos de pensão e seguradoras — hoje representam a maior fatia do financiamento externo de países emergentes, aumentando a exposição dessas economias a retiradas abruptas em períodos de estresse financeiro.

Segundo o capítulo do Relatório de Estabilidade Financeira Global divulgado nesta terça-feira (07), a parcela de recursos destinados à dívida de mercados emergentes oriundos de investidores de portfólio dobrou em duas décadas e alcançou 80%. O documento também aponta que, desde 2008, esses países receberam entradas acumuladas de cerca de US$ 4 trilhões.

O FMI afirma que essa mudança beneficiou os mercados emergentes ao possibilitar captações de prazo mais longo e custo menor em um ambiente de ampla liquidez global. Ao mesmo tempo, o relatório destaca que, desde a crise financeira de 2008, esses investidores tornaram-se mais avessos ao risco e propensos a retirar recursos com rapidez quando as condições financeiras globais se deterioram.

O relatório alerta que economias e empresas dependentes desses fluxos são “particularmente vulneráveis aos choques financeiros globais”. Em especial, fundos de hedge e fundos de investimento tendem a reagir ao risco de forma mais abrupta do que outros investidores de portfólio, ampliando os riscos em mercados com menor profundidade financeira e capacidade política reduzida.

“Uma queda repentina nesses fluxos poderia intensificar as pressões de financiamento externo, aumentar os spreads corporativos e soberanos e desencadear fortes depreciações cambiais”, resume o FMI no texto.

O Fundo estimou que os passivos em dívida externa por meio de portfólios equivalem, em média, a cerca de 15% do produto interno bruto (PIB) nos mercados emergentes. As posições em ações por portfólio representam, em média, cerca de 7% do PIB, embora em alguns mercados emergentes cheguem a uma parcela economicamente relevante da capitalização acionária.

Imagem: ReutersLogo do FMI na fachada do prédio do Fundo em Washington

O relatório cita o caso do florim húngaro, cuja intensa participação de investidores estrangeiros contribuiu para uma valorização de cerca de 20% frente ao dólar no ano passado. No entanto, o documento observa que a moeda reverteu ganhos desde o início da guerra no Irã, no final de fevereiro, acompanhando a redução dos fluxos para mercados emergentes após um período de desempenho excepcional.

Além dos fluxos de portfólio, o FMI apontou expansão rápida do crédito privado transfronteiriço e do uso de stablecoins nos mercados emergentes, com as stablecoins fortemente vinculadas à dinâmica do mercado de criptomoedas.

Para reduzir a vulnerabilidade a saídas de capital, o Fundo recomenda que os países elevem a qualidade institucional, constituam amortecedores como reservas cambiais e assegurem a sustentabilidade das contas públicas.

Com informações de Forbes