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O frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã não resultou na retomada imediata do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. Apesar da promessa iraniana de permitir “passagem segura”, empresas de navegação e analistas relatam que embarcações seguem reticentes devido a exigências de coordenação com as forças armadas iranianas, restrições técnicas e risco de ataques e minas.

Movimentação atual

Dados da empresa de monitoramento Kpler mostram que apenas cinco navios cruzaram o estreito na quarta-feira (8), abaixo da média de cerca de 10 travessias diárias observada nos cinco dias anteriores. Fontes do setor afirmam não haver sinais de movimentação em grande escala nem filas formadas para atravessar.

Condições impostas pelo Irã

O Irã manteve controle rigoroso do estreito durante o conflito, instalando minas e atacando embarcações. Como parte do cessar-fogo, autoridades iranianas informaram que permitirão travessias, mas exigirão coordenação com a Marinha e imposição de “limitações técnicas”. A mídia estatal do Irã alertou que, por causa de minas nas áreas de tráfego, os navios devem usar rotas designadas e se comunicar com as forças navais do país.

Fatores que impedem o retorno dos navios

Operadores marítimos apontam que, antes de tudo, é preciso confiança de que o cessar-fogo se manterá. A fragilidade do acordo — e acusações iranianas de que ataques de Israel ao Líbano o violaram — desencorajam decisões de tráfego em grande escala. “Está instável demais para qualquer um se comprometer”, disse Oscar Seikaly, CEO da corretora NSI Insurance Group.

Além da segurança, há incerteza sobre procedimentos práticos: o Irã quer supervisionar e coordenar as travessias, e não ficou claro como os armadores obtêm autorização. Relatos e dados de rastreamento indicam que, durante a guerra, a maioria das travessias seguiu rota próxima à costa iraniana, o que sugere exigência iraniana por uso desse corredor. Em alguns casos, armadores teriam feito pagamentos — descritos por mercados como “pedágio” — para liberar navegabilidade.

Intervenção internacional e limites práticos

Países como Índia, Paquistão e Tailândia vêm negociando com o Irã para garantir passagem segura de suas embarcações. Em declaração conjunta, líderes de sete países europeus, o Canadá, a Comissão Europeia e o Conselho Europeu se comprometeram a contribuir para a liberdade de navegação no estreito. O presidente Donald Trump afirmou que os EUA poderiam ajudar a gerenciar o tráfego na região e sugeriu operar em conjunto com o Irã, comentário que a ABC News disse ter registrado como proposta de “joint venture”.

Imagem: Divulgação

Analistas alertam que o Irã poderia continuar atuando como porteiro enquanto o fluxo permanecer baixo, mas seria incapaz de administrar novamente os mais de 100 navios por dia que transitavam pelo estreito antes da guerra. Qualquer tentativa de alterar rotas para águas omanenses também é vista como arriscada, porque poderia provocar retaliações iranianas.

Custos e seguros

O preço do seguro contra “risco de guerra” subiu significativamente no início dos combates; algumas empresas contrataram apólices, mas a incerteza sobre a estabilidade do cessar-fogo diminuiu a demanda por coberturas adicionais. Operadores com embarcações paradas têm considerado pagar valores elevados para liberar navios, enquanto grandes companhias ponderam riscos jurídicos associados a transações financeiras com o Irã, dada a manutenção de sanções.

Autoridades britânicas, representadas pelo secretário de Defesa John Healey, enfatizaram o desejo de ver o estreito “aberto e livre, em conformidade com leis de navegação internacional, sem cobrança de pedágio”.

Até que haja garantias claras sobre segurança contínua, remoção ou neutralização das minas e procedimentos operacionais definidos — inclusive com transparência sobre autorizações e trilhas a serem seguidas —, o tráfego no Estreito de Ormuz deve permanecer limitado.

Com informações de Infomoney