Com a missão Artemis 2 se aproximando da fase crítica de retorno à Terra, quando a cápsula Orion enfrentará velocidades de até 40.000 km/h, engenheiros concentram esforços no desenho do interior da nave para garantir segurança e funcionalidade da tripulação. O projeto prioriza a interface entre humanos e sistemas, com atenção a ergonomia, controles físicos e fatores psicológicos.

Assentos projetados para proteção

Segundo Olga Bannova, diretora do programa de arquitetura espacial da Universidade de Houston, ouvida pelo The Verge, os assentos representam a principal medida para reduzir riscos de lesões na reentrada. A configuração foi pensada para acomodar 99% da população humana, ser totalmente ajustável para uso com trajes pressurizados volumosos e permitir desmontagem para liberar espaço interno quando necessário.

Controles físicos para condições de alta gravidade

Durante lançamento e reentrada as forças G podem tornar movimentos básicos muito difíceis, inclusive levantar os braços. Por isso a NASA optou por dispositivos de comando físicos em vez de depender apenas de telas sensíveis ao toque. A tripulação da Artemis 2 usará controladores rotativos manuais, semelhantes a joysticks, e dispositivos de controle de cursor parecidos com gamepads, garantindo operação mesmo com mobilidade corporal severamente reduzida.

Privacidade, sono e bem-estar psicológico

O projeto interno também trata conforto como requisito para desempenho. O arquiteto-chefe Sebastian Aristotelis, da SAGA, afirmou ao The Verge que um ambiente bem desenhado aumenta a sensação de segurança da tripulação. A Orion oferece soluções para descanso, acústica e higiene: cada astronauta pode escolher sua configuração de sono — o comandante Reid Wiseman prefere dormir sob os displays, Christina Koch opta por dormir suspensa e Victor Glover usa um nicho próximo ao teto. Equipamentos passam por testes de ruído e existem sistemas para controle de odores; o banheiro, que teve desafios técnicos iniciais, foi redesenhado priorizando privacidade e facilidade de manutenção.

Orion e Crew Dragon: abordagens de design divergentes

A comparação entre a Orion (NASA) e a Crew Dragon (SpaceX) mostra filosofias distintas. Enquanto a nave da SpaceX aposta em visual minimalista e grandes telas táteis, a Orion adota um conceito mais pragmático, com numerosos botões e interruptores físicos. Essa escolha se deve ao direcionamento da Orion ao espaço profundo, exigindo maior capacidade de carga, autonomia em missões longas e redundância manual caso sistemas eletrônicos falhem longe da Terra.

Imagem: NASA/Radislav Sinyak

Software, supervisão humana e possibilidade de intervenção

Atualmente o software assume papel central no controle da nave, com os astronautas em função de supervisão — como descreveu o piloto Victor Glover à NASA, eles “ajudam o software” a cumprir a missão. Ainda assim, o design garante que os humanos possam sobrescrever sistemas automatizados: em emergências, a capacidade humana de tomar decisões não convencionais permanece preferível à lógica estrita das máquinas.

A preparação da Orion leva em conta tanto as forças físicas extremas da reentrada quanto as necessidades operacionais e psicológicas da tripulação, buscando maximizar segurança e autonomia durante toda a missão.

Com informações de Olhardigital