Super Mario Bros. 2 voltou ao debate após a confirmação de que o vilão Wart aparecerá em Super Mario Galaxy: O Filme. A curiosa história do título explica por que existem duas versões distintas do jogo e por que ele se afasta tanto da fórmula estabelecida pela franquia.
TRANSMISSÃO: r por sua primeira e intensa crise | Band
Origem e primeira versão japonesa
Depois do enorme sucesso de Super Mario Bros., a equipe R&D4 da Nintendo iniciou um projeto de arcade chamado Vs. Super Mario Bros., liderado por Shigeru Miyamoto, que utilizava seis fases adaptadas do original e mostrou que o público apreciava desafios mais severos. Com isso, a empresa decidiu criar uma sequência para o Famicom Disk System que aproveitasse esses níveis e divulgou o produto com o selo “For Super Players”.
Takashi Tezuka assumiu a direção do novo jogo sob supervisão de Miyamoto — este estava ocupado com The Legend of Zelda e questões pessoais — e, em junho de 1986, Super Mario Bros. 2 foi lançado no Japão para o Famicom Disk System após cerca de quatro meses de desenvolvimento. A sequência mantinha muitos elementos visuais e sonoros do primeiro jogo, mas ampliava a dificuldade, removia o modo cooperativo e alterava a jogabilidade de Luigi, que pulava mais alto e deslizando mais que Mario.
A rejeição norte-americana
Quando a Nintendo of America recebeu a versão japonesa, Howard Phillips, o “Game Master” da filial, testou o título no verão de 1986 e considerou o jogo injusto em vários pontos — um exemplo citado foi morrer para um cogumelo que, no primeiro jogo, era power-up. Preocupado com a recepção do público americano, principalmente após a indústria de games dos EUA ter passado por sua primeira e intensa crise, Phillips recomendou não lançar essa versão nos Estados Unidos. Além disso, o fato de o jogo ter sido desenvolvido para o Famicom Disk System tornaria a conversão para cartucho onerosa e demorada.
Transformação a partir de Doki Doki Panic
No Japão, a Nintendo já trabalhava em outro título: Yume Kōjō: Doki Doki Panic, criado por Kensuke Tanabe para um evento da Fuji Television e com participação da equipe do primeiro Mario, incluindo Koji Kondo e Yoichi Kotabe. Doki Doki Panic explorava a mecânica de levantar e arremessar objetos e personagens com diferentes características, além de contar com inimigos que mais tarde se tornariam familiares aos fãs da Nintendo.
Imagem: Divulgação/Nintendo
Em 1987, a Nintendo of America sugeriu adaptar Doki Doki Panic para o mercado ocidental como a alternativa para Super Mario Bros. 2. A empresa japonesa substituiu os protagonistas originais pelos personagens do universo Mario — Mario, Luigi, Peach e Toad — e ajustou itens, inimigos e mecânicas, como a introdução de corrida e a mudança no sistema de dano. O jogo perdeu o sistema de salvamento do disco e algumas condições de finalização do original foram alteradas para se adequarem ao cartucho do NES.
Lançamento e legado
A versão reaproveitada chegou ao mercado norte-americano em 1988 como Super Mario Bros. 2 e vendeu 7,46 milhões de cópias globalmente, tornando-se um dos maiores sucessos da Nintendo na era do NES. A versão japonesa originalmente recusada acabaria reaparecendo internacionalmente como Super Mario Bros.: The Lost Levels na coletânea Super Mario All-Stars, enquanto a versão americana foi lançada no Japão como Super Mario Bros. USA.
O reaproveitamento de Doki Doki Panic e a recusa da versão japonesa explicam por que Super Mario Bros. 2 difere tanto do restante da série, tanto em mecânicas quanto em identidade visual.
Com informações de Canaltech

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6